ARRGH… é GASTREET - Daniel Melo Ribeiro

July 7, 2008

Emergência e Caos

Na última quinta-feira, assisti a uma palestra excelente no Itaú Cultural com um (artista? matemático? designer?) colombiano chamado Santiago Ortiz. Trata-se do evento Emoção Art.ficial 4.0 com o tema “emergência”, com exposição de obras digitais, simpósio e workshops.

O cara é muito bom. Apresentou de maneira muito clara, sempre com exemplos, os conceitos básicos da teoria do caos e complexidade. Ele utiliza princípios básicos da emergência em sistemas dinâmicos, tais como a a interação local entre componentes simples para gerar padrões gerais de comportamento, para construir interfaces interativas (disponíveis na internet).

O mais legal é perceber que as pesquisas em teorias da complexidade são transdiciplinares e conseguem transitar tranquilamente entre a biologia, a matemática, a física, a linguística e o design. Os exemplos trazidos na palestra, basicamente, consistiam em visualizações não-lineares de fenômenos complexos, sejam redes sociais, evolução genética de bactérias ou comportamento de partículas. O cara se apóia na visualização de dados para demonstrar todos esses fenômenos. Interessante também registrar o objetivo de construir interfaces que sejam úteis aos indivíduos para compreender melhor alguma situação complexa, e não simplesmente criar projetos experimentais.

Alguns modelos:

6pli

6pli - um sistema de visualização para o Del.icio.us

mitozoos.gif

Mitozoos -  modelo interativo que simula a vida artificial de criaturas criadas digitalmente. O modelo contempla evolução genética, competição por alimento, reprodução e mutação.

social.gif

Automatas - um modelo bastante didático, que ilustra muito bem o comportamento de elementos dentro de um sistema dinâmico. Com apenas duas variáveis (amor x ódio), somos capazes de estabelecer regras de funcionamento de atração e repulsa mútua entre os componentes, tal como uma telenovela.

July 1, 2008

Borges e a Biblioteca de Babel: o conhecimento e o excesso de informações

Filed under: sociedade da informação, comunicação, navegação, conhecimento — Daniel @ 6:09 pm

Segue abaixo mais um trecho da minha pesquisa.

No seu famoso conto intitulado Biblioteca de Babel, Jorge Luis Borges (2007) nos apresenta uma imensa biblioteca, organizada em galerias hexagonais, repleta de prateleiras abarrotadas de livros.

A biblioteca é total, e suas prateleiras registram todas as possíveis combinações dos vinte e tantos símbolos ortográficos, ou seja, tudo o que é dado expressar: em todos os idiomas. Tudo: a história minuciosa do futuro, as autobiografias dos arcanjos, o catálogo fiel da Biblioteca, milhares e milhares de catálogos falsos, a demonstração da falácia desses catálogos, a demonstração da falácia do catálogo verdadeiro, o evangelho gnóstico de Basílides, o comentário desse evangelho, o comentário do comentário desse evangelho, o relato verídico da tua morte, a versão de cada livro em todas as línguas, as interpolações de cada livro em todos os livros, o tratado que Beda pôde escrever (e não escreveu) sobre a mitologia dos saxões, os livros perdidos de Tácito. (BORGES, 2007)

O acervo dessa biblioteca é infinito e supõe registrar nos seus volumes toda a realidade existente. Não há, nesta biblioteca, dois livros idênticos. Há sim, inúmeras referências cruzadas a outros livros.

Quando se proclamou que a biblioteca abrangia todos os livros, a primeira impressão foi de extravagante felicidade. Todos os homens se sentiram senhores de um tesouro intacto e secreto. Não havia problema pessoal ou mundial cuja eloqüente solução não existisse: em algum hexágono. O universo estava justificado, o universo bruscamente usurpou as dimensões ilimitadas da esperança. (…) Também se esperou então o esclarecimento dos mistérios da humanidade: a origem da Biblioteca e do tempo. É verossímil que esses graves mistérios possam ser explicados em palavras: se a linguagem dos filósofos não bastar, a multiforme Biblioteca produzirá o idioma inaudito que for necessário, e os vocabulários e gramáticas desse idioma. (BORGES, 2007)

Como não ficarmos eufóricos diante da possibilidade concreta de se alcançar todo o conhecimento produzido pelo homem? Bastaria apenas localizar a referência certa, em alguma determinada prateleira, para solucionar a inquietude imediata causada pela falta de informação. Não haveria problema caso essa referência não estivesse em um formato adequado para leitura, pois a própria Biblioteca, entendida como um organismo quase vivo, encarregaria-se de indicar a gramática necessária para se compreender a linguagem, para então o leitor retornar à pesquisa inicial. Por outro lado,

À desmedida esperança sucedeu, como é natural, uma depressão excessiva. A certeza de que alguma prateleira em algum hexágono encerrava livros preciosos e de que esses livros preciosos eram inacessíveis, pareceu quase intolerável. (…) A certeza de que tudo está escrito nos anula ou faz de nós fantasmas. (BORGES, 2007)

A inacessibilidade de referências precisas, representadas em linguagens muitas vezes incompreensíveis, levou insatisfação aos freqüentadores da Biblioteca. Ao saber que as possibilidades de conhecimento eram quase infinitas, mas que éramos incapazes de absorvê-las, o homem se frustrou. Constatou-se que tal biblioteca não seria capaz de revelar os mistérios do conhecimento humano.

Tal metáfora da Biblioteca de Babel se torna pertinente ao analisarmos a atual condição da informação no ciberespaço, onde o excesso de dados não necessariamente induz novos conhecimentos.

Em plena era da informação, quando o ciberespaço se apresenta a nós como uma grande biblioteca, uma biblioteca com todos os livros e todos os documentos, sistemas de mapeamento lógico tornam-se indispensáveis. Como não nos perderemos e não ficamos exaustos diante de tanta profusão de dados? (LEÃO, 2003)

Como usuários diários do ciberespaço, tornamo-nos dependentes de seu conteúdo, ao estabelecermos fortes laços de relacionamento uns cons outros por meio da comunicação mediada pelo computador. Quantas vezes não nos perdemos em seu labirinto de referências, ou mesmo não conseguimos o conhecimento adequado, mesmo diante de inúmeras bases de dados, a apenas poucos links de distância?

Que conhecimento queremos obter a partir da chamada sociedade da informação? Reconhecemos que a informação em rede ganhou velocidade, fluidez, penetração, mas, principalmente, tornou-se colaborativa, socialmente compartilhada. Por outro lado, o ciberespaço também permitiu a abertura de fissuras, a imposição de barreiras de acessibilidade, a invasão da privacidade, a aceleração do tempo.

Ao nos fazer crer que o acesso à Internet ao “saber universal”, que necessariamente terá sua fonte aos monopólios de saber já existentes, resolveria o problema não apenas da fratura digital, mas também o da fratura social. (…) A sociedade das redes está longe de ter colocado um fim ao etnocentrismo dos tempos imperiais. Em vez de resolver o problema, a tecnologia o desloca. Enquanto permanece a lancinante questão: como conceber e colocar em ação outros modelos de desenvolvimento? (…) A ditadura do tempo curto faz com que se atribua uma patente de novidade, e portanto de mudança revolucionária, àquilo que na verdade é produto de evoluções estruturais e de processos que estão em curso há muito tempo. (…) (devemos) refletir sobre os múltiplos entrecruzamentos das mediações sociais, culturais e educativas pelos quais se constroem os usos do mundo digital e que estão na própria origem da vida democrática. Opor-se ao fetichismo da velocidade neofordista por meio de outras relações com o tempo. (MATTELART, 2002)

Reconhece-se que estamos diante de um cenário de complexidade, independente da leitura que fizermos dos problemas ou das soluções encontradas. O excesso de dados e informações, particularmente, é um desses problemas.

Talvez o problema maior da biblioteca não seja o excesso de livros, mas sim a necessidade de novas cartografias. Cartografias mutantes, cartografias reveladoras. Cartografias tão flexíveis e coerentes com as nossas necessidades subjetivas e objetivas que, ao contrário do império borgiano, não as julgaremos inúteis, mas sim vitais para o processo de interação no ciberespaço. (LEÃO, 2003)

BORGES, Jorge Luis. Ficções. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

LEÃO, Lucia. Cartografias em mutação: por uma estética do banco de dados. In: LEÃO, Lucia (org.). Cibercultura 2.0. São Paulo: U.N. Nojosa, 2003.

MATTELART, Armand. História da sociedade da informação. São Paulo: Edições Loyola, 2002.

June 17, 2008

Redescobrindo Paul Otlet

Filed under: classificação, navegação, conhecimento — Daniel @ 11:06 am

Parece que novos pesquisadores estão redescobrindo o belga Paul Otlet como um dos pensadores que contribuiu de maneira mais relevante com o conceito de compartilhamento de documentos em rede. Em reportagem publicada hoje no New York Times, o jornalista Alex Wright traz uma nova reflexão sobre o autor, confira alguns trechos:

“In 1934, Otlet sketched out plans for a global network of computers (or “electric telescopes,” as he called them) that would allow people to search and browse through millions of interlinked documents, images, audio and video files. He described how people would use the devices to send messages to one another, share files and even congregate in online social networks. He called the whole thing a “réseau,” which might be translated as “network” — or arguably, ‘web.’”

“Although Otlet’s proto-Web relied on a patchwork of analog technologies like index cards and telegraph machines, it nonetheless anticipated the hyperlinked structure of today’s Web. ”

“Otlet’s version of hypertext held a few important advantages over today’s Web. For one thing, he saw a smarter kind of hyperlink. Whereas links on the Web today serve as a kind of mute bond between documents, Otlet envisioned links that carried meaning by, for example, annotating if particular documents agreed or disagreed with each other. That facility is notably lacking in the dumb logic of modern hyperlinks.”

Confira também este link: “International organisation and dissemination of knowledge : selected essays of Paul Otlet

June 16, 2008

Clone wars

Filed under: visualização — Daniel @ 12:10 pm

Segue um post assumidadmente nerd. Vejam este trailer da nova animação de Star Wars que estréia em agosto.

Gostei bastante e com certeza vou ver, não somente porque gosto muito da série, mas também pelo seguinte motivo: como os recentes episódios de Star Wars (1, 2 e 3) eram completamente sustentados pelos efeitos em computação gráfica, não fiquei nem um pouco incomodado com a estética 3D proposta nesse “Clone Wars”. Pelo contrário, aliás, os atores tiveram tão pouca importância (com algumas exceções) que nem senti falta deles… Como se, agora, a série assumisse sua autenticidade, adotando a estética computacional de maneira honesta para os fãs.

Aguardo com uma certa ansiedade próximas animações que ilustrem situações entre os episódios 4, 5, 6, ou até além. Seria bem legal imaginar o que os rebeldes fizeram no intervalo dos episódios 4 e 5 e como o império se reestruturou após a destruição da estrela da morte.

May 31, 2008

A memória coletiva

Filed under: sociedade da informação, comunicação, conhecimento — Daniel @ 11:26 am

“Nascemos dentro de estruturas de aprendizado e comportamento que preexistiam a nós, e as utilizamos para delas extrair informações sobre o mundo e o lugar que nele ocupamos. (…) devemos aos outros membros do nosso contexto cultural, vivos e mortos, as formas como organizamos nossas informações sobre o mundo e as maneiras como pensamos em transformá-los.

Para permitir que seres humanos se beneficiem do conhecimento e das aptidões de outros devemos dispor de algum tipo de sistema de armazenamento para transmitir esses benefícios através dos tempos. Precisamos do equivalente social de nossas próprias memórias, efetivamente, uma memória social ou cultural.

Suponhamos que esta memória coletiva se situe, de algum modo, fora das mentes dos membros individuais do grupo, ou, melhor ainda, que se possa guardar em lugar conveniente, para consultar quando preciso. Suponhamos ainda que esta memória possa ser representada em forma duradoura, de modo que seja compreendida por todos os membros do grupo. Se essas hipóteses se concretizarem, então a memória coletiva não só sobreviverá, mas também todos os membros do grupo se beneficiarão das memórias uns dos outros. Esses fatos positivos vieram a ocorrer, mas não da forma completa e ideal que planejamos. (…) A história desta atividade externalizadora mostra a engenhosidade técnica do homem e o auge de sua atividade e criador de símbolos. Abrange uma longa saga de adaptação, invenção e inovação, dos primeiros rabiscos em pedras, cacos de cerâmica e nas paredes das cavernas até a tecnologia da informação que nos rodeia. ”

McGARRY, Kevin. O contexto dinâmico da informação. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.

May 19, 2008

Nível de fidelidade de protótipos e wireframes

Filed under: arquitetura da informação, navegação — Daniel @ 5:21 pm

Para quem está envolvido em projetos de sistemas de informações em metodologias ágeis, sugiro a leitura deste artigo, que trata de algumas estratégias para conciliar design e AI às atividades dos desenvolvedores.

Um dos tópicos que eu achei particularmente interessante, diz respeito ao nível de detalhamento sugerido para os protótipos e wireframes. Segue um trecho:

“Lower fidelity: documentation is still a good thing, but the more details you have, the longer your document takes to produce. Wireframes are the best example of this. A well-annotated, high-fidelity wireframe for one page can take a day, easy. If you need to spend less time, use fewer details. If you’ve collaborated on the design, and you’ve helped improve their design literacy, then your team won’t need all the detail. Strip your documents down to the basics and only deliver what people need. Make your wireframes more like page description diagrams or block layouts. ”

Gosto deste ponto de vista: tenho percebido que, muitas vezes, uma boa conversa com os envolvidos no projeto substitui muito bem um wireframe muito detalhado. Basta alguma referência visual, somente para guiar o raciocício. Apesar se ser legal dedicar um bom tempo para preparar uma documentação completa, noto que, na prática, nunca vamos ter tempo suficiente…

Em resumo: vamos assumir que a documentação nunca ficará completa e passemos a ter o foco nas necessidades das pessoas, aliadas às demandas do negócio.

May 18, 2008

Perspectiva comunicacional do design da informação

Filed under: sociedade da informação, design da informação — Daniel @ 5:13 pm

“Information is a tool designed by human beings to make sense of a reality assumed to be both chaotic and orderly. In the face of differences we must look for differences not in how humans, individually and collectively, see their worlds but in how they make their worlds (i.e. construct a sense of the world and how it works). For if we conceptualize the human condition as a struggle through an incomplete reality, then the similar struggles of others may well be informative for our own efforts. Information is made and unmade in communication – intrapersonal, social, organizational, nation, and global. With this view of information, information design cannot treat information as a mere thing to be economically and effectively packaged for distribution. Design to assist people to make and unmake their own nformations, their own sense. Must deal with the entire complex range of what humans do when they make sense, when they construct their movements through what is assumed to be an everchanging, sometimes, chaotic, sometimes orderly, sometimes impenetrable time-space.

We create an information system to assist people in designing their own information and in sharing with each other.”

DERVIN, Brenda. Chaos, order, and Sense-making: a proposed theory for information design. In JACOBSON, Robert (org.). Information Design. London: MIT Press, 1999.

May 15, 2008

Usabilidade do Iphone

Filed under: design da informação, navegação — Daniel @ 5:40 pm

Para quem ainda não viu…

May 13, 2008

A velocidade e a informação

Filed under: sociedade da informação, conhecimento — Daniel @ 11:24 am

Trechos de uma entrevista com Umberto Eco, publicada na Folha do dia 12/05/08.

PERGUNTA - O que é certo é que alguns anos atrás o sr. disse que viveríamos de modo rapidíssimo, e agora vivemos em velocidades supersônicas.
ECO - E tudo o que existe agora será obsoleto dentro de pouco tempo. Até o e-mail será obsoleto, porque tudo será feito com o celular. Talvez as novas gerações se acostumem a isso, mas existe uma velocidade do processo que é de tal calibre que a psicologia humana talvez não consiga adaptar-se. Estamos em velocidade tão grande que não existe nenhuma bibliografia científica americana que cite livros de mais de cinco anos atrás. O que foi escrito antes já não conta, e isso é uma perda também quanto à relação com o passado.

PERGUNTA - A fé cega na internet, por outro lado, cria monstros.
ECO - Sim, parece que tudo é certo, que você dispõe de toda a informação, mas não sabe qual é confiável e qual é equivocada. Essa velocidade vai provocar a perda de memória.
E isso já acontece com as gerações jovens, que já não recordam nem quem foram Franco ou Mussolini! A abundância de informações sobre o presente não lhe permite refletir sobre o passado. Quando eu era criança, chegavam à livraria talvez três livros novos por mês; hoje chegam mil. E você já não sabe que livro importante foi publicado há seis meses. Isso também é uma perda de memória. A abundância de informações sobre o presente é uma perda, e não um ganho.

(…)

PERGUNTA - Tanta informação faz com que os jornais pareçam irrelevantes.
ECO - Esse é um de nossos problemas contemporâneos. A abundância de informação irrelevante, a dificuldade em selecioná-la e a perda de memória do passado -e não digo nem sequer da memória histórica. A memória é nossa identidade, nossa alma. Se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal. Se você bate a cabeça em algum lugar e perde a memória, converte-se num vegetal. Se a memória é a alma, diminuir muito a memória é diminuir muito a alma.

PERGUNTA - Qual seria hoje o papel da informação?
ECO - Creio que perdemos muito tempo nos formulando essas perguntas, enquanto as gerações mais jovens simplesmente deixaram de ler jornais e se comunicam por meio de mensagens de texto. Eu não posso me desligar dos jornais. Para mim, sua leitura é a oração matinal do homem moderno. Não posso tomar o café da manhã se não tiver pelo menos dois jornais para ler.
Mas talvez sejamos os resquícios de uma civilização, porque os jornais têm muitas páginas, mas não muita informação. Sobre o mesmo tema há quatro artigos que talvez digam a mesma coisa… Existe abundância de informação, mas também abundância da mesma informação.
Não sei se você se lembra de minha teoria sobre o “Fiji Journal”. Eu estava em Fiji coletando informações sobre os corais para meu livro “A Ilha do Dia Anterior” [ed. Record], e em meu hotel chegava todas as manhãs o “Fiji Journal”, que tinha oito páginas -seis de anúncios, uma de notícias locais e outra de notícias internacionais. No mês que passei ali, a primeira Guerra do Golfo estava prestes a estourar, e, na Itália, o primeiro governo de Berlusconi tinha caído. Inteirei-me de tudo porque em uma única página de notícias internacionais, em três ou quatro linhas, davam-me as notícias mais importantes.

PERGUNTA - Como a internet.
ECO - Vamos à internet para tomar conhecimento das notícias mais importantes. A informação dos jornais será cada vez mais irrelevante, mais diversão que informação. Já não nos dizem o que decidiu o governo francês, mas nos dão quatro páginas de fofocas sobre Carla Bruni e Sarkozy [atual presidente da França]. Os jornais se parecem cada vez mais com as revistas que havia para ler na barbearia ou na sala de espera do dentista.

A íntegra desta entrevista saiu no “El País”. Tradução de Clara Allain

May 6, 2008

Democratizando a visualização

Filed under: visualização, sociedade da informação — Daniel @ 9:45 am

Segue uma apresentação do Many eyes, por seus criadores.

May 1, 2008

O design é enganador

Filed under: design da informação — Daniel @ 8:52 am

“A alavanca é uma máquina simples. Seu design copia o braço humano; ela é um braço artificial. Sua tecnologia provavelmente é tão antiga quanto a espécie homo sapiens, talvez ainda mais velha. E sua máquina, seu design, sua arte, sua tecnologia pretende trapacear com a gravidade, enganar as leis da natureza (…) Este é o design que é a base de toda a cultura: enganar a natureza através da tecnologia, substituir o que é natural pelo que é artificial. Em resumo: o design, por trás de toda a cultura, deve ser enganador (artificioso) o suficiente para transformar meros mamíferos condicionados pela natureza em artistas livres.”

FLUSSER, Vilém. The shape of things: a philosophy of design. Londres: Reaktion Books, 1990. (apud PFUTZENREUTER, Edson. Contribuições para a questão da formação do designer de hipermídia. In LEÃO, Lucia (org.). O chip e o caleidoscópio: reflexões sobre as novas mídias. São Paulo: Editora Senac, 2005)

April 29, 2008

Soluções trazem novos problemas

Filed under: sociedade da informação — Daniel @ 2:21 pm

“How many people do you know outside your tech community that want to have 25 desktop applications live, running Firefox alongside with 10 tabs open, twittering 100 times a day, reading and commenting articles on Friendfeed, writing a blog post about it, starting riots to get traffic going, AND still have a normal day job and a life after that? I don’t know anyone that fancies that kind of life. It is the life of the tech hero. ”

Fonte: The noise in Web 2.0 is mainly a Tech Elite’s problem

Sugestão de leitura enviada pelo Lavi.

(o título do post está horrível, ok, não consegui pensar em nada melhor)

April 25, 2008

Social networking wars

Filed under: sociedade da informação — Daniel @ 5:37 pm

Imaginaram como o Orkut apareceria?

April 21, 2008

Visualização de dados

Filed under: design da informação, conhecimento, TIDD, mapa — Daniel @ 11:10 pm

Enfim, posso decretar que este é o tema do minha dissertação. Segue um trecho do capítulo que iniciei este final de semana (lá embaixo tem uma citação, facilmente identificável pelas aspas).

O convívio com os dados é parte significativa do cotidiano dos indivíduos e se intensifica quando sua própria comunicação em sociedade é intensamente mediada por dispositivos de processamento de dados digitais. Claramente percebemos que lidar de maneira direta com esses dados será uma tarefa ingrata e desgastante, a menos que tenhamos instrumentos mais adequados de agregar algum sentido interpretativo a esses dados. A interpretação dos dados gera informação, que, trabalhada na experiência individual, torna-se insumo para gerar conhecimento.

Um caminho para instrumentalizar o indivíduo a conviver melhor nesse ambiente de saturação de dados é desenvolver ferramentas que auxiliem na sua interpretação. Há inúmeras possibilidades de filtragem e recombinação, mas que, sem uma forma adequada de exibição, dificilmente suas relações serão percebidas ou farão qualquer sentido ao indivíduo comum.

“Os artistas da visualização de dados transformam o caos informacional de pacotes de dados que se locomovem através da rede em formas claras e ordenadas. (…) A visualização de dados nos permite enxergar padrões e estruturas por detrás do vasto e aparente fortuito conjunto de dados. (…) Os dados quantitativos são reduzidos a seus padrões e estruturas, os quais, a seguir, explodem em inúmeras imagens visuais ricas e concretas.”

MANOVICH, Lev. Visualização de dados como uma nova abstração e anti-sublime. In: LEÃO, Lucia. (org.). Derivas: cartografias do ciberespaço. São Paulo: Annablume, 2004, 225p.

Se você também se interessa pelo assunto, recomendo uma visita ao meu delicious. Estive coletando coisas muito boas nos últimos dias.

April 13, 2008

A face

Filed under: design da informação — Daniel @ 10:37 pm

“Software never appears without its interface. The human-computer interface is, first of all, the face of its software. In fact, the semiotic analysis emphasizes the tendency of the interface, considered as something between two systems, to disappear. If we assume the interface is an important, but in some way separate component of computing potencials, we render software faceless. But software cannot exist wihtout face. The face of software is its appearance at the periphery of the computer; without its face, it does not exist at all. (…) Recognizing that software always possesses a face provides a fruitful approach to software design. Design of software artifacts, then, includes design of its face. The interface between human beings and software artifacts disappears as a separate, material things and reappears as a semiotic process that is deeply entangled in aesthetics.”

NAKE, Frieder. GRABOWSKI, Susanne. The interface as sign and as aesthetic event. In FISHWICK, Paul. (org.) Aesthetic Computing. Cambridge, Mass.: MIT Press, 2006. P.67

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