A Biblioteca de Babel

Ficções, de Jorge Luis Borges

Nem preciso dizer que “A Biblioteca de Babel” do Borges será “a referência” literária (em prosa) para minha dissertação. Já andei citando-o por aqui algumas vezes.

No texto, o autor apresenta uma biblioteca com um número infinito de galerias hexagonais, cujo acervo seria composto por livros de todas as naturezas e conteúdos, e que, justamente por isso, supostamente conteria todos os mistérios e segredos da humanidade.

Seguem abaixo alguns trechos (só alguns, para mais detalhes, aguarde o andar da carruagem).

“a biblioteca existe ab aeterno. Dessa verdade, cujo corolário imediato é a eternidade futuro do mundo, nenhuma mente razoável pode duvidar. O homem, o bibliotecário imperfeito, pode ser obra do acaso ou de demiurgos malévolos; o universo, com sua elegante provisão de prateleiras, de tomos enigmáticos, de incansáveis escadas para o viajante e de latrinas para o bibliotecário sentado, somente pode ser obra de um deus. Para perceber a distância que existe entre o divino e o humano, basta comparar estes rudes símbolos trêmulos que minha mão falível rabisca na capa de um livro, com as letras orgânicas do interior: pontuais, delicadas, negríssimas, inimitavelmente simétricas.” (p. 71)

“Quando se proclamou que a biblioteca abrangia todos os livros, a primeira impressão foi de extravagante felicidade. Todos os homens se sentiram senhores de um tesouro intacto e secreto. Não havia problema pessoal ou mundial cuja eloqüente solução não existisse: em algum hexágono. O universo estava justificado, o universo bruscamente usurpou as dimensões ilimitadas da esperança. (…) À desmedida esperança, sucedeu, como é natural, uma depressão excessiva. A certeza de alguma prateleira em algum hexágono encerrava livros preciosos e de que esses livros preciosos eram inacessíveis, pareceu quase intolerável.” (p. 74, 75)

“Se um viajante eterno, a atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao cabo de séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, repetida, seria uma ordem: a Ordem). Minha solidão se alegra com essa elegante esperança.” (p. 79)

BORGES, Jorge Luis. Ficções. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.