Vejam este artigo de Aaron Rester  muito interessante chamado “Mapping Memory: Web Designer as Information Cartographer”.

Ele contrapõe o conceito de Arquitetura da Informação com o que ele chama de Cartografia da Informação.  Segundo ele, ao considerar essa metáfora, introduzimos uma interpretação mais rica para compreendermos o modo como habitamos o ciberespaço.

Common sense tells us that an architect begins with an abstraction—a blueprint—and creates from that abstraction a concrete structure existing in physical space. The cartographer, on the other hand, starts with concrete structures existing in physical space and creates from that an abstraction: a map. For years, most of us have thought of building a website as being more like the former. We sketch out tree hierarchies and wireframes, and use them as the blueprints for the creation not of a physical structure, but an informational structure (and sometimes, if we’re feeling generous to our users, we’ll re-abstract those structures into “sitemaps” to aid their navigation around the site). What we often forget is that the blueprints from which we construct a site are themselves maps of processes and flows that already exist, from verbal dialogues to the exchange of money for goods and services.

O interessante dessa argumentação, sustentada pelo sociólogo francês Henri Lefebvre, está em pensar que a produção do espaço é criada a partir de relações sociais. O espaço, segundo esse autor, é criado pelo fluxo das redes relacionais – como o capital, o poder e, claro, a informação – que atravessam áreas físicas.

Essa teoria está em sintonia com o que Castells defende como espaço de fluxos. Ele entende fluxo como:

Seqüências intencionais, repetitivas, e programáveis de intercâmbio e interação entre posições fisicamente desarticuladas por atores sociais nas estruturas econômicas, política e simbólica da sociedade.

Castells provoca uma leitura social de um termo que já possui conotações tecnológicas e comunicacionais. O espaço é, na verdade, a representação de um momento. Um retrato “congelado” de um determinado tempo.

O espaço de fluxos é a organização material das práticas sociais de tempo compartilhado que funcionam por meio de fluxos.

Por fim, Rester sinaliza algo muito interessante,

Just as Lefebvre leads us to see built spaces not as the expressions of a single architect, but rather as the production of the wide variety of human interactions that occur within them, so websites created by cartographers would cease being grand edifices of unidirectional communication and become instead the collective product of the individuals whose lives intersect within them. The rise of the social web demands that if we are to help shape meaningful online experiences for our users, we must rethink our traditional role as builders of digital monuments and turn our attention to the close observation of the spaces that our users are producing around us.

Há outras metáforas para tentar contornar a rigidez do termo “arquitetura da informação”. Em outra ocasião ironizei a questão ao apresentar o “encanador da informação”.

Essa metáfora do cartógrafo me agrada muito, pois ressalta o caráter exploratório do mundo real, para traduzí-lo em caminhos navegáveis estruturalmente. Aproximaríamos, assim, da idéia de Design da Experiência. Incomoda-me, por outro lado, o seguinte ponto: o cartógrafo, nesse sentido, mapeia o ambiente tal como ele é para os seus habitantes. Onde estaria, então, o questionamento e a criatividade em propor estruturas diferentes das que as pessoas estão acostumadas?

Poderíamos pensar que o bom cartógrafo não possui a pretensão de representar o ambiente de forma literal, afinal a sua interpretação particular do mundo estará fatalmente materializada no mapa. Questão: enquanto cartógrafos da informação, estariam as nossas interpretações de mundo não só coerentes com a produção de espaço social das pessoas, mas também criativas o suficiente para solucionar problemas de fluxos de informação?