Arquivo mensais:outubro 2007

Cartografias em mutação

“Talvez o problema maior da biblioteca não seja o excesso de livros, mas sim a necessidade de novas cartografias. Cartografias mutantes, cartografias reveladoras. Cartografias tão flexíveis e coerentes com as nossas necessidades subjetivas e objetivas que, ao contrário do império borgiano, não as julgaremos inúteis, mas sim vitais para o processo de interação no ciberespaço.”

LEÃO, Lucia. Cartografias em mutação: por uma estética do banco de dados. In: LEÃO, Lucia (org.). Cibercultura 2.0. São Paulo: U.N. Nojosa, 2003.

As we may think

“Nossa incapacidade de obter um registro é amplamente causada pela artificialidade dos sistemas de indexação. Os dados de qualquer natureza, quando estocados, são arquivados numericamente ou alfabeticamente, e a informação é encontrada num movimento vertical de pesquisa, passando de subclasse em subclasse. O objeto pode estar apenas em um único lugar, a menos que cópias duplicadas sejam utilizadas. Deve haver regras para percorrer tais caminhos, no geral lentas e ineficientes.

A mente humana, por outro lado, não trabalha desta maneira. Ao tomar um item, somos levados instantaneamente a outro item que é sugerido pela imediata associação de pensamentos, de acordo com intrigadas redes de trilhas carregadas pelas células do nosso cérebro.

Por outro lado, o homem não espera duplicar, de maneira completa, esse processo mental artificialmente, mas certamente ele pode aprender algo com isso. A primeira idéia, por sua vez, pode ser desenhada a partir da analogia relativa à seleção. A seleção por associação, não por indexação, pode ser mecanizada. Não podemos esperar, por sua vez, velocidade e flexibilidade igual à mente ao seguir uma trilha associativa, mas poderia ser possível, decisivamente, bater a mente quanto à permanência (capacidade de retenção e memória) e quanto à clareza dos itens recuperados do armazenamento.”

Vannevar Bush, em 1945.

BUSH, Vannevar. As we may think. In: MONTFORT, Nick; WARDRIP-FUIN, Noah. (org.) The New Media Reader. London: MIT Press. 2003

Impressões iniciais do EBAI

Acabei de chegar do EBAI e gostaria de registrar algumas impressões iniciais e opiniões sobre o evento:

1) Foi bastante interessante o fato de diversos palestrantes ressaltarem a atuação da Aquitetura da Informação num contexto mais amplo do que estamos acostumados no nosso dia-a-dia profissional. Ficou bem claro, pra mim, a necessidade de se expandir o nosso pensamento para as diversas e múltiplas possibilidades de aplicação da informação em situações que vão além da internet e dos browsers. Ao pensar dessa forma, encaramos a experiência interativa do usuário com a informação de forma muito mais rica e intensa, seja através dos dispositivos informacionais móveis (celulares, palms, mp3 players), sem falar nos painéis, displays, automóveis, eletrodomésticos, roupas (!!!), exposições, museus, etc., etc., etc.

2) Foi muito bem lembrada também a questão da mudança de alguns paradigmas metodológicos da Arquitetura da Informação, em função do contexto de maior participação e colaboração do usuário na construção de sistemas sociais de informação baseados em colaboração. A verticalização e a hierarquia fixa de critérios de organização de conteúdo, típicos do “primeiro momento da internet” precisam ser revistas e atualizadas.

3) Fiquei muito feliz por encontrar as pessoas que somente via por gmail ou msn. Fiz novas amizades, novos contatos e conheci figuraças, como o Fred, do Usabilidoido e o Henrique do Revolução etc (por sinal, sujeitos muito acessíveis e, principalmente, simples). Espero manter o contato com a galera e, sempre que possível, trombar com o pessoal nos próximos encontros e eventos.

4) Ah, sim, claro. Apresentei uma palestra: Personalização e colaboração na Web 2.0: novos caminhos para a Arquitetura da Informação.

Por enquanto é só, estou absorvendo as idéais ainda e, em breve, coloco mais algo.

1º Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação

Este final de semana aqui em SP vai o rolar o 1º Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação.

Banner do 1º Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação

Trata-se de uma excelente iniciativa da comunidade de AI brasileira. Enfim vamos reunir todo o pessoal que só conheço pelo Gmail. A proposta é organizarmos um evento atutal, nos moldes do IA Summit e assim nos mobilizar sempre para a discussão e a troca de experiências.

Escrevi um artigo para este evento e fui selecionado para fazer uma palestra. Fiquei muito feliz, não estava com tantas esperanças. Achei que meu artigo estava um pouco superficial, mas recebi bons “feedbacks” da comissão revisora, o que me deixou mais empolgado.

Vou tratar do tema “Personalização e colaboração na Web 2.0: novos caminhos para a Arquitetura da Informação”. Segue abaixo o resumo:

“Este estudo posiciona a Arquitetura da Informação no contexto da chamada “Web 2.0”, tendo em vista a tendência de colaboração e personalização da informação. Para isso, pretende discutir o conceito de interface cultural para expressão de novos valores da cultura contemporânea, apontando modelos de navegação e organização de conteúdo na Internet. ”

Segue abaixo a minha apresentação:

The new media reader 2

“It is time that we treat the people who have articulated fundamental ideas of human-computer interaction as the major modern artists. Not only did they invented new ways to represent any data (and thus, by default, all data which has to do with ‘culture’, i.e. the human experience in the world and the symbolic representation of this experience) but they have also radically redefined our interactions with all of old culture. As the window of web browser comes to supplement the cinema screen, museum space, CD player, book and library, the new situation manifests itself: all culture, past and present, is being filtered through the computer, with its particular human-computer interface. Human-computer interface comes to act as a new form through which all older forms of cultural production are being mediated.”

MANOVICH, Lev. New media from Borges to HTML. In: MONTFORT, Nick; WARDRIP-FUIN, Noah. (org.) The New Media Reader. London: MIT Press. 2003

The new media reader

“Indeed, like the medium of film 100 years earlier, the computer medium is drawing on many antecedents and spawning a variety of formats. But the term “new media” is a sign of our current confusion about where these efforts are leading and our breathlessness at the pace of change, particularly in the last two decades of the 20th century. How long will it take before we see the gift for what it is – a single new medium of representation, the digital medium, formed by the braided interplay of technical invention and cultural expression at the end of 20th century?”

MONTFORT, Nick; WARDRIP-FUIN, Noah. (org.) The New Media Reader. London: MIT Press. 2003

I just can’t forget these things…

Video do Ricardo Portilho, um cara que também estudou comigo. (nem fomos tão colegas na verdade, fui calouro da turma dele). Vi no blog do Florencio e achei bem legal. Segue a ficha técnica:

A personal take on my life in Amsterdam and the pills of wisdom once whispered by my parents that every now and then come back into into my mind.

Direction:
Ricardo Portilho

Camera:
Ricardo Portilho
Vitor Peixoto

Editing:
Ricardo Portilho
Music:
composed and performed by Fabiano Fonseca (Digitaria). Recorded at Andar Estúdio, Belo Horizonte/Brazil.
Mixed by Daniel Albinati (Digitaria).
www.digitariamusic.com.br

Thanks to:
Dima Stefanova
Henk Groenendijk
Amir Admoni
Eduardo Recife
Rob Schroder
Vitor Peixoto
Xanda

Amsterdam. Zomer. 2007

This movie was produced within the scope of the project Kosmopolis goes Global, dealing with how immigrant young artists deal with family and frienship being away from home. With the support of Stichting Kosmopolis, The Netherlands.