Arquivo mensais:abril 2008

Soluções trazem novos problemas

“How many people do you know outside your tech community that want to have 25 desktop applications live, running Firefox alongside with 10 tabs open, twittering 100 times a day, reading and commenting articles on Friendfeed, writing a blog post about it, starting riots to get traffic going, AND still have a normal day job and a life after that? I don’t know anyone that fancies that kind of life. It is the life of the tech hero. ”

Fonte: The noise in Web 2.0 is mainly a Tech Elite’s problem

Sugestão de leitura enviada pelo Lavi.

(o título do post está horrível, ok, não consegui pensar em nada melhor)

Visualização de dados

Enfim, posso decretar que este é o tema do minha dissertação. Segue um trecho do capítulo que iniciei este final de semana (lá embaixo tem uma citação, facilmente identificável pelas aspas).

O convívio com os dados é parte significativa do cotidiano dos indivíduos e se intensifica quando sua própria comunicação em sociedade é intensamente mediada por dispositivos de processamento de dados digitais. Claramente percebemos que lidar de maneira direta com esses dados será uma tarefa ingrata e desgastante, a menos que tenhamos instrumentos mais adequados de agregar algum sentido interpretativo a esses dados. A interpretação dos dados gera informação, que, trabalhada na experiência individual, torna-se insumo para gerar conhecimento.

Um caminho para instrumentalizar o indivíduo a conviver melhor nesse ambiente de saturação de dados é desenvolver ferramentas que auxiliem na sua interpretação. Há inúmeras possibilidades de filtragem e recombinação, mas que, sem uma forma adequada de exibição, dificilmente suas relações serão percebidas ou farão qualquer sentido ao indivíduo comum.

“Os artistas da visualização de dados transformam o caos informacional de pacotes de dados que se locomovem através da rede em formas claras e ordenadas. (…) A visualização de dados nos permite enxergar padrões e estruturas por detrás do vasto e aparente fortuito conjunto de dados. (…) Os dados quantitativos são reduzidos a seus padrões e estruturas, os quais, a seguir, explodem em inúmeras imagens visuais ricas e concretas.”

MANOVICH, Lev. Visualização de dados como uma nova abstração e anti-sublime. In: LEÃO, Lucia. (org.). Derivas: cartografias do ciberespaço. São Paulo: Annablume, 2004, 225p.

Se você também se interessa pelo assunto, recomendo uma visita ao meu delicious. Estive coletando coisas muito boas nos últimos dias.

A face

“Software never appears without its interface. The human-computer interface is, first of all, the face of its software. In fact, the semiotic analysis emphasizes the tendency of the interface, considered as something between two systems, to disappear. If we assume the interface is an important, but in some way separate component of computing potencials, we render software faceless. But software cannot exist wihtout face. The face of software is its appearance at the periphery of the computer; without its face, it does not exist at all. (…) Recognizing that software always possesses a face provides a fruitful approach to software design. Design of software artifacts, then, includes design of its face. The interface between human beings and software artifacts disappears as a separate, material things and reappears as a semiotic process that is deeply entangled in aesthetics.”

NAKE, Frieder. GRABOWSKI, Susanne. The interface as sign and as aesthetic event. In FISHWICK, Paul. (org.) Aesthetic Computing. Cambridge, Mass.: MIT Press, 2006. P.67

Os filtros de informação

Leia mais sobre Douglas Engelbart.

O mundo digital “é o planeta nativo dos filtros de informação (…) Informação digital sem filtros é coisa que não existe, por razões que ficarão cada vez mais claras. À medida que parte cada vez maior da cultura se traduzir na linguagem digital de zeros e uns, esses filtros assumirão importância cada vez maior, ao mesmo tempo que seus papéis culturais se diversificarão cada vez mais, abrangendo entretenimento, política, jornalismo, educação e mais. O que se segue é uma tentativa de ver esses vários desenvolvimentos como exemplos de uma idéia mais ampla, uma nova forma cultural que paira em algum lugar entre meio e mensagem, uma metaforma que vive no submundo entre o produtor e o consumidor de informação. A interface é uma maneira de mapear esse território novo e estranho, um meio de nos orientarmos num ambiente desnorteante. Décadas atrás, Doug Engelbart e um punhado de outros visionários reconheceram que a explosão da informação poder ser tanto libertadora quanto destrutiva – e sem uma metaforma para nos guiar por esse espaço-informação, correríamos o risco de nos perder no excesso de informação.” (p. 33)

JOHNSON, Steven. Cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

O Designer de interface

“Não há artistas que trabalhem no meio da comunicação da interface que não sejam, de uma maneira ou de outra, também engenheiros. (…) Os artesãos da cultura da interface não tem tempo a perder com essas divisões arbitrárias. Seu meio se reinventa a si mesmo depressa demais para admitir falsas oposições entre tipos criativos e programadores. Eles se tornaram uma outra coisa, uma espécie de nova fusão de artista e engenheiro – profissionais da interface, cyberpunks, web masters – incubidos da missão épica de representar nossas máquinas digitais, de dar sentido à informação em sua forma bruta.”

Um pouco exagerado né… Ok… “missão épica” é um pouco forçado… Mas vamos considerar que foi escrito em 1997, momento que apontava para muitas mudanças no cenário da tecnologia e da computação.

JOHNSON, Steven. Cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

Alguns números sobre Web 2.0

Uma das palestras do IA Summit 2008.

O título engana um pouco e certamente a amostragem se refere a um universo distinto da realidade brasileira. Mas achei que alguns pontos são válidos: ainda que óbvios, reforçam fatores muito relevantes.

– o poder dos mecanismos de busca na compra de produtos on-line;
– as pessoas confiam nos ratings e reviews dos outros usuários ao escolher um produto ou uma loja;
– as home pages estão perdendo a importância, uma vez que é cada vez mais freqüente chegar a um determinado conteúdo interno por uma busca ou seguindo um link específico.

Tecnologia e cultura

“O primeiro pintor de cavernas era artista ou engenheiro? Era ambas as coisas, é claro, como o foram, em sua maior parte, os artistas e engenheiros desde então. Mas temos o hábito – cultivado por muito tempo – de imaginá-los como separados, os dois grandes afluentes correndo incessantemente para o mar da modernidade e dividindo, em seu curso, o mundo em dois campos: os que habitam nas margens da tecnologia e os que habitam na margem da cultura. (…)

Qualquer analista profissional de tendências nos dirá que os mundos da tecnologia e da cultura estão colidindo. Mas o que surpreende não é a própria colisão – é o fato de ela ser considerada novidade.”

JOHNSON, Steven. Cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.