Arquivo mensais:fevereiro 2009

Visualização de dados na internet

One of the distinctive features of the digital medium is its capacity to establish relations between large quantities of data through filtering and processing according to different criteria. These constantly evolving, scalable relations affect both the production of meaning and a traditional understanding of aesthetics, which become subject to computational logic—the instructions given by algorithms—and a constant reconfiguration of contexts.

Cristiane Paul

A Visualização de Dados é um desses processos: ao criar uma visualização, o designer define os filtros que serão aplicados aos dados, com o objetivo de provocar um efeito estético. O interessante é perceber que esse efeito é intencional, e, portanto, político: estabelece um recorte sempre parcial de uma potencialidade presente na massa de dados.

Vou “defender” essa conversa aí na minha banca, no próximo dia 02/03. Vocês estão convidados.

RIBEIRO, Daniel Melo. Visualização de dados na Internet. 2009. 132 f. Dissertação (Mestrado em Tecnologias da Inteligência e Design Digital) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009.

Data: 02/03/2009 (segunda-feira)
Local: PUC-SP. Rua Caio Prado, 102. Consolação. Auditório do 1º andar.
Horário: 14:00

Dado, informação e conhecimento

“Informação” é um conceito muito utilizado, mas muito difícil de se definir. Há várias tentativas de delimitação do termo, sob diversos enfoques, seja da Comunicação, da Ciência da Informação ou da Computação. Vi o seguinte vídeo, em um post no information aesthetics:

(aliás, esses videozinhos com firulas tipográficas são legais, mas já estão começando a ficar populares demais. Por coincidência, vi alguns no Museu do Futebol neste final de semana – muito bom, por sinal, vale a visita.)

Bom, retomando o assunto. Segue abaixo a minha contribuição para a definição de “informação”. Foi a que melhor encontrei até agora.

Os conceitos de dado, informação e conhecimento freqüentemente são utilizados de forma confusa na literatura, e demandam, dessa maneira, uma definição mais precisa. O conceito de “informação” se tornou popular logo após a invenção da imprensa no século XV. A raiz do termo vem do latim formatio e forma, vocábulos que transmitem a idéia de moldar algo ou formar um molde. Wiener (1960), pesquisador conhecido por seus estudos sobre cibernética, define informação como o termo que designa o conteúdo daquilo que permutamos com o mundo exterior quando nos ajustamos a ele, e que faz com que nosso ajustamento seja nele percebido. Segundo Shannon (1949), o pai da teoria matemática da comunicação, informação é aquilo que logicamente justifica alteração ou reforço de uma representação ou estado de coisas, acrescentando algo a uma representação. As representações podem ser explícitas como num mapa ou proposição, ou implícitas como no estado de atividade orientada para um objetivo do receptor. Outros autores consideram a informação como algo que é permutado com o mundo exterior e não apenas recebido passivamente; algo que reduz a incerteza em determinada situação e se constitui como a matéria-prima da qual se extrai o conhecimento. (McGARRY, 1999)

A informação não é a extremidade no processo de construção da compreensão. Quando os dados, que por sua vez são meros registros, adquirem sentido interpretativo, eles se transformam em informação. Quando a informação é internalizada no indivíduo e compreendida a partir de experiências prévias, ela se transforma em conhecimento. Dessa forma, percebemos um fluxo crescente de interpretação entre dado, informação e conhecimento, nessa ordem.

Shedroff (1999) atualiza esses conceitos para o contexto contemporâneo das mídias eletrônicas e digitais, e defende que não podemos considerar como informação o vasto número de estímulos que bombardeiam nossos sentidos diariamente. Tais estímulos são meros dados, elementos com pouco valor para a maioria das pessoas. Os dados são produtos de pesquisa, criação, coleta ou descoberta, mas não são adequados para comunicação. Esses dados constituem o material bruto utilizado para construção dos processos comunicativos e não podem, isoladamente, compor uma mensagem completa. Para ter algum valor, os dados precisam ser organizados, transformados e a apresentados de maneira a dar e eles algum significado. Por outro lado, essa característica os torna facilmente manipuláveis pela linguagem digital.

A informação, nesse sentido, está em um nível mais apropriado para a comunicação, pois representa mensagens significantes que revelam relacionamentos e contextos para os dados apresentados. Os dados serão transformados em informação quando forem organizados em uma forma lógica, que faça sentido ao interlocutor, apresentados de uma maneira apropriada e, por fim, contextualizados. O conhecimento é a compreensão obtida pela experiência, e pode ser comunicado pela construção de interações entre indivíduos, sendo, portanto, fundamentalmente participativo.

McGARRY, Kevin. O contexto dinâmico da informação. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.

SHEDROFF, Nathan. Information interaction design: a unified field theory of design. In JACOBSON, Robert (org.). Information Design. London: MIT Press, 1999.

Imagens nos novos meios

No ensaio “Imagens nos novos meios”, Flusser apresenta uma reflexão muito interessante sobre a evolução das imagens. Após apontar o caráter massivo das imagens televisivas, ele, ao final, prevê um futuro um pouco diferente. (o ensaio foi escrito em 1989).

Se essa mudança fosse alcançada (e em parte ela já está em curso), então o conceito “imagem” ganharia um quarto e novo significado. Entraria em jogo uma superfície incorpórea, sobre a qual, graças ao trabalho de muitos participantes, poderiam ser projetados significados. E os significados de imagem anteriores seriam “elevados” a um novo nível. A imagem, como nas condições atuais, permaneceria genericamente acessível; seria uma cópia confortável de se transportar. Ela recobraria seu potencial político, epistemológico e estético, como naquele tempo em que eram os pintores que as produziam. E talvez elas até mesmo recobrassem algo de seu caráter sagrado original. Tudo isso é tecnicamente possível hoje em dia.

O que se procura dizer aqui faz sentido não apenas para as imagens, mas também para a existência futura. Dito de modo sucinto: os novos meios, da maneira como funcionam hoje, transformam as imagens como verdadeiros modelos de comportamento e fazem dos homens meros objetos. Mas os meios podem funcionar de maneira diferente, a fim de transformar as imagens em portadoras e os homens em designers de significado.

FLUSSER, Vílem. O mundo codificado. Por uma filosofia do design e da comunicação. São Paulo: Cosac Naify. 2007. P. 159