Arquivo mensais:março 2009

Interfaces culturais

Why do cultural interfaces – web pages, CD-ROM titles, computer games – look the way they do? Why do designers organize computer data in certain ways and not in others? Why do they employ some interface metaphors and not others?

Lev Manovich, CINEMA AS A CULTURAL INTERFACE.

Por que computadores parecem “televisões em cima de máquinas de escrever”? Por que os sistemas operacionais usam metáforas de desktop (lixeira, arquivos, pastas, documentos)?

Estamos inseridos em um contexto cultural que não nos deixa enxergar o mundo de outra maneira. Não digo que isso é ruim. É assim. (ponto).

Penso que a inovação acontece quando alguém rompe o estreito campo de visão do paradigma atual. Vejam o video abaixo:

Manovich prossegue:

Today the language of cultural interfaces is in its early stage, as was the language of cinema a hundred years ago. We don’t know what the final result will be, or even if it will ever completely stabilize. Both the printed word and cinema eventually achieved stable forms which underwent little changes for long periods of time, in part because of the material investments in their means of production and distribution. Given that computer language is implemented in software, potentially it can keep on changing forever. But there is one thing we can be sure of. We are witnessing the emergence of a new cultural code, something which will be at least as significant as the printed word and cinema before it. We must try to understand its logic while we are in the midst of its natal stage.

Interfaces – como os “siftables” – podem proporcionar futuramente o rompimento com modelos de interfaces computacionais culturalmente construídos ao longo das últimas décadas (mouses, teclados e monitores). É interessante notar também que esse rompimento não é completo: os bloquinhos resgatam bloquinhos de madeira que crianças usam para construir casas e prédios. (eu tinha isso quando criança e minha mãe comprou também para minha sobrinha de 2 anos…)

Os “siftables” me causaram uma sensação semelhante ao Wii e ao Iphone.

Agora foi: Visualização de dados na Internet

Concluí meu mestrado na última segunda-feira, dia 02/03/2009.

Participaram da banca as professoras Lucia Leão (orientadora), a Lucia Santaella e a Rejane Spitz. Recebi excelentes comentários sobre o trabalho, alguns puxões de orelha e alguns elogios também.

(agora vem a parte mais piegas desse post. Desculpe, tenho esse direito)

Sempre haverá arestas a remover. Mas estou muito feliz por ter concluído no prazo. No começo foi bem complicado. Tinha acabado de me mudar de BH para SP. Vendi meu carro para ajudar nas mensalidades e consegui bolsa somente no último semestre. Encarei o trânsito da Rebouças para assistir umas aulas à tarde e fiquei alguns finais de semana por conta de estudar. No final, o esforço (que nem foi tão grande assim) valeu muito. Muita coisa mudou para melhor desde que decidi fazer mestrado e me mudar para SP.

Alguns agradecimentos:

Letícia: paciente e equilibrada, contribuiu muito com o texto e com afagos nos momentos mais oportunos. Aguardo a sua banca com ansiedade!

– Dalka, minha sogra: excelente revisão! A banca não localizou um erro ortográfico!

– Leila, minha mãe: não me deixou desistir quando a grana apertou. “Num instante passa, meu filho…”

RIBEIRO, Daniel Melo. Visualização de dados na Internet. 2009. 132 f. Dissertação (Mestrado em Tecnologias da Inteligência e Design Digital) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009.

Esta pesquisa debate os novos desafios impostos pelas tecnologias da informação a partir da seguinte questão: como lidar com o excesso de informações. A busca pelas formas de favorecer o conhecimento no ciberespaço demanda investigações sobre propostas mais inteligentes de representação dessas informações. Estamos diante da necessidade de reorganização da informação no espaço digital, que, por sua vez, requer um olhar mais aprofundado sobre as práticas do design. Para traçarmos o papel do designer como projetista das interfaces do ciberespaço, retomamos a relevante contribuição dada pelo design da
informação, área de estudos que investiga a compreensão da informação por meio de representações visuais. Considerando a cartografia como a necessidade humana de realizar representações visuais de sistemas complexos de informação, a visualização se constitui, no contexto desta pesquisa, como instrumento fundamental para revelar sentidos ocultos, invisíveis numa observação restrita aos dados em si. Manovich coloca que o conceito de mapeamento também está intimamente relacionado à visualização, pois ao representar todos os dados usando o mesmo código numérico, os computadores facilitam o mapeamento de uma representação em outra. A visualização pode, então, ser concebida como um tipo de mapeamento, no qual o conjunto de dados é mapeado em uma imagem. O objetivo principal, portanto, é investigar aplicações que exploram a visualização de dados como proposta para enfrentar os desafios impostos pelo excesso de informações. Para investigar a hipótese de que a visualização de dados se constitui como manifestação relevante para a geração de conhecimento, este trabalho analisa propostas interativas de visualização de dados dinâmicos, a partir da coleta de uma amostragem significativa de aplicações disponíveis na Internet. Com uma visão geral dos tipos de visualização, foi criada uma classificação, inspirada na necessidade de se compreender os contextos e as possíveis relações simbólicas que tais aplicações possam representar aos indivíduos na Internet. Por fim, são apontados alguns caminhos futuros de pesquisa, a partir do olhar crítico sobre a informação, o design e a visualização.

Palavras-chave: ciberespaço, visualização, design da informação, mapeamento, cartografia.