ARRGH… é GASTREET - Daniel Melo Ribeiro

August 6, 2008

Arquiteturas líquidas do ciberespaço

“No ciberespaço, qualquer informação e dados podem se tornar arquitetônicos e habitáveis, de modo que o ciberespaço e a arquitetura do ciberespaço são uma só e mesma coisa. Entretanto, trata-se de uma arquitetura líquida, que flutua. Por isso, o ciberespaço altera as maneiras pelas quais se concebe e percebe a arquitetura, de modo que torne nossa concepção da arquitetura cada vez mais musical. Pela primeira vez, o arquiteto não desenha um objeto, mas os princípios pelos quais o objeto é gerado e varia no tempo. (…) Uma arquitetura desmaterializada, dançante, difícil, etérea, temperamental, transmissível a todas as partes do mundo simultaneamente, só indiretamente tangível, feita de presenças sempre mutáveis, líquidas.”

SANTAELLA, Lucia. Linguagens líquidas na era da mobilidade. São Paulo: Paulus, 2007. P. 17

Há algum tempo venho pensando na metáfora da “arquitetura líquida” para tratar dessas formas fluidas de navegação, sustentadas pela colaboração e personalização. Segue abaixo um trecho de um material que escrevi. (e pretendo publicá-lo em alguma revista científica… alguma sugestão para um periódico legal?)

A própria metáfora dos conceitos líquidos somente poderia ser aplicada ao design dos sistemas de informação quando consideramos a interferência do usuário na construção do conteúdo coletivo. Tal como analisado nos sistemas emergentes, é necessário basear-se em uma massa crítica de dados gerada pela ação de cada indivíduo localmente a partir de regras e instrumentos simples. Essa lógica produz algo maior, um conhecimento que, enfim, começa a concretizar os ideais da inteligência coletiva, mas que ainda encontrará muitos desdobramentos com o desenvolvimento das ciências cognitivas e da inteligência artificial.

July 7, 2008

Emergência e Caos

Na última quinta-feira, assisti a uma palestra excelente no Itaú Cultural com um (artista? matemático? designer?) colombiano chamado Santiago Ortiz. Trata-se do evento Emoção Art.ficial 4.0 com o tema “emergência”, com exposição de obras digitais, simpósio e workshops.

O cara é muito bom. Apresentou de maneira muito clara, sempre com exemplos, os conceitos básicos da teoria do caos e complexidade. Ele utiliza princípios básicos da emergência em sistemas dinâmicos, tais como a a interação local entre componentes simples para gerar padrões gerais de comportamento, para construir interfaces interativas (disponíveis na internet).

O mais legal é perceber que as pesquisas em teorias da complexidade são transdiciplinares e conseguem transitar tranquilamente entre a biologia, a matemática, a física, a linguística e o design. Os exemplos trazidos na palestra, basicamente, consistiam em visualizações não-lineares de fenômenos complexos, sejam redes sociais, evolução genética de bactérias ou comportamento de partículas. O cara se apóia na visualização de dados para demonstrar todos esses fenômenos. Interessante também registrar o objetivo de construir interfaces que sejam úteis aos indivíduos para compreender melhor alguma situação complexa, e não simplesmente criar projetos experimentais.

Alguns modelos:

6pli

6pli - um sistema de visualização para o Del.icio.us

mitozoos.gif

Mitozoos -  modelo interativo que simula a vida artificial de criaturas criadas digitalmente. O modelo contempla evolução genética, competição por alimento, reprodução e mutação.

social.gif

Automatas - um modelo bastante didático, que ilustra muito bem o comportamento de elementos dentro de um sistema dinâmico. Com apenas duas variáveis (amor x ódio), somos capazes de estabelecer regras de funcionamento de atração e repulsa mútua entre os componentes, tal como uma telenovela.

April 13, 2008

Os filtros de informação

Leia mais sobre Douglas Engelbart.

O mundo digital “é o planeta nativo dos filtros de informação (…) Informação digital sem filtros é coisa que não existe, por razões que ficarão cada vez mais claras. À medida que parte cada vez maior da cultura se traduzir na linguagem digital de zeros e uns, esses filtros assumirão importância cada vez maior, ao mesmo tempo que seus papéis culturais se diversificarão cada vez mais, abrangendo entretenimento, política, jornalismo, educação e mais. O que se segue é uma tentativa de ver esses vários desenvolvimentos como exemplos de uma idéia mais ampla, uma nova forma cultural que paira em algum lugar entre meio e mensagem, uma metaforma que vive no submundo entre o produtor e o consumidor de informação. A interface é uma maneira de mapear esse território novo e estranho, um meio de nos orientarmos num ambiente desnorteante. Décadas atrás, Doug Engelbart e um punhado de outros visionários reconheceram que a explosão da informação poder ser tanto libertadora quanto destrutiva – e sem uma metaforma para nos guiar por esse espaço-informação, correríamos o risco de nos perder no excesso de informação.” (p. 33)

JOHNSON, Steven. Cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

January 21, 2008

Convergência, metadados e auto-organização

“O papel mais significativo da Web em tudo isso não envolverá sua capacidade de escoar imagens de vídeo de alta qualidade o ecoar estrondos de som surround; de fato é bem possível que o conteúdo real da revolução da convergência chegue por meio de alguma outra plataforma de transmissão. Por sua vez, a Web contribuirá com os metadados que permitirão a auto-organização desses grupos. Ela será o armazém central e o mercado para todos os nossos padrões de comportamento mediado. (…) os consumidores poderão explorar por si mesmos esse monte de produtos, para criar mapas comunitários de todos os entretenimentos e dados disponíveis on-line. (…) O grupo construirá uma teoria de sua mente, e essa teoria será um projeto de grupo, reunido pela Web a partir de um inimaginável número de decisões isoladas. Cada teoria e cada grupo serão mais especializados do que qualquer coisa que já tenhamos experimentado no mundo top-down dos meios de comunicação. Essas habilidades de leitura de mentes surgirão porque, pela primeira vez, nossos padrões de comportamento serão expostos – como as calçadas com que começamos – para o espaço público compartilhado da própria Web.” (p. 165)

JOHNSON, Steven. Emergência: a dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003. P. 164-165

January 3, 2008

Integração

“Se fosse escolher uma palavra para indicar a tendência da Internet em 2008, seria ‘integração’, a ênfase da parte “inter” da internet. Tanto as comunidades virtuais e redes sociais, vindo de baixo para cima, como ferramentas e conceitos como a Web 2.0, vindos de cima para baixo, tenderão a integrar as iniciativas na rede. As comunidades se interligarão e interagirão, assim como é a tendência que vemos nos equipamentos. Cada vez mais, nada é ‘exclusivo’ na rede”.
Demi Getschko, diretor do Núcleo de Informação e Coordenação do NIC.Br e pai da internet no Brasil.

Trecho da matéria do brother Felitti para o IDG.

Detalhe: aguardo com ansiedade as aulas com o Demi este semestre.

December 8, 2007

Arquitetura da informação e estruturas hipertextuais

Desde um pouco antes do EBAI, tenho me interessado em investigar as mudanças e a evolução da arquitetura da informação a partir da introdução de novos conceitos descentralizados de organização da informação, como por exemplo a Folksonomia.

Vejam esses dois links, ajudam a situar um pouco o que eu estou dizendo:

a) Apresentação do Fred sobre o “samba do crioulo doido

b) Ontology is Overrated: Categories, Links, and Tags (acho até que já coloquei esse link aqui antes…)

Tenho visto muita gente estudar Ontologia e Web semântica em busca de uma solução para o problema do desordenamento e caos informacional e para a construção mais “inteligente” de dados articulados entre si. Acho que são estudos muito pertinentes, mas que se aplicam a universos restritos, como por exemplo, comunidades que compartilham vocabulários mais ou menos comuns, estruturas mais rígidas e hierárquicas de informação, etc.

Particularmente, tenho mais interesse em estudar estruturas e fenômenos bottom-up de navegação e organização da informação. Acho que modelos como a folksonomia refletem algo de muito valor, que é a “rede viva”, orgânica, fluida, construída e mantida pelos seus próprios usuários e entusiastas. Algo parecido com o movimento do software livre e o creative commons, no sentido de dar poder à própria comunidade de definir seus valores e rumos.

Sobre estruturas não hierárquicas e fluidas de navegação em conteúdo hipermídia, destaco mais um trecho das minhas recentes leituras:

As estruturas textuais modulares e as multitemáticas que usam uma variedade de modos de organização e cruzamentos de informações verbais e visuais, pensadas em estruturas multidimensionais, por seu lado, são mais representativas do hipertexto, em comparação a estruturas hierárquicas e lineares e alta coesão.

“Embora nada impeça que um hipertexto se estruture hierarquicamente, as estruturas modulares e multitemáticas é que são capazes de fazer jus ao seu potencial multidimensional. É esse potencial que tem levado muitos estudiosos a comparar o funcionamento por meio de conexões associativas do hipertexto com o modo como o cérebro trabalha, isto é, um tipo de organização que mimetiza a estrutura da memória. Evidentemente, esse funcionamento só se perfaz porque o design lógico de um hipertexto deve prever a margem de liberdade interativa do usuário. O que deve haver, portanto, é um equilíbrio entre os dispositivos de orientação para a leitura e o potencial para as escolhas poliseqüenciais do leitor. É em virtude disso que o labirinto tem sido a mais hábil entre todas as metáforas para descrever o hipertexto, pois no labirinto, o prazer de se perder só pode ser intensificado quando apoiado na expectativa persistente de que a promessa de um alvo a ser atingido será eventualmente cumprida.”

SANTAELLA, Lucia. Linguagens líquidas na era da mobilidade. São Paulo: Paulus, 2007. P. 314.

December 6, 2007

Links tipográficos

Filed under: navegação, metadados — Daniel @ 11:15 am

Dan Collier

Dan Collier

Dan Collier, o designer dono do projeto.

October 21, 2007

As we may think

“Nossa incapacidade de obter um registro é amplamente causada pela artificialidade dos sistemas de indexação. Os dados de qualquer natureza, quando estocados, são arquivados numericamente ou alfabeticamente, e a informação é encontrada num movimento vertical de pesquisa, passando de subclasse em subclasse. O objeto pode estar apenas em um único lugar, a menos que cópias duplicadas sejam utilizadas. Deve haver regras para percorrer tais caminhos, no geral lentas e ineficientes.

A mente humana, por outro lado, não trabalha desta maneira. Ao tomar um item, somos levados instantaneamente a outro item que é sugerido pela imediata associação de pensamentos, de acordo com intrigadas redes de trilhas carregadas pelas células do nosso cérebro.

Por outro lado, o homem não espera duplicar, de maneira completa, esse processo mental artificialmente, mas certamente ele pode aprender algo com isso. A primeira idéia, por sua vez, pode ser desenhada a partir da analogia relativa à seleção. A seleção por associação, não por indexação, pode ser mecanizada. Não podemos esperar, por sua vez, velocidade e flexibilidade igual à mente ao seguir uma trilha associativa, mas poderia ser possível, decisivamente, bater a mente quanto à permanência (capacidade de retenção e memória) e quanto à clareza dos itens recuperados do armazenamento.”

Vannevar Bush, em 1945.

BUSH, Vannevar. As we may think. In: MONTFORT, Nick; WARDRIP-FUIN, Noah. (org.) The New Media Reader. London: MIT Press. 2003

October 17, 2007

1º Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação

Filed under: arquitetura da informação, classificação, metadados, artigo — Daniel @ 10:04 am

Este final de semana aqui em SP vai o rolar o 1º Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação.

Banner do 1º Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação

Trata-se de uma excelente iniciativa da comunidade de AI brasileira. Enfim vamos reunir todo o pessoal que só conheço pelo Gmail. A proposta é organizarmos um evento atutal, nos moldes do IA Summit e assim nos mobilizar sempre para a discussão e a troca de experiências.

Escrevi um artigo para este evento e fui selecionado para fazer uma palestra. Fiquei muito feliz, não estava com tantas esperanças. Achei que meu artigo estava um pouco superficial, mas recebi bons “feedbacks” da comissão revisora, o que me deixou mais empolgado.

Vou tratar do tema “Personalização e colaboração na Web 2.0: novos caminhos para a Arquitetura da Informação”. Segue abaixo o resumo:

“Este estudo posiciona a Arquitetura da Informação no contexto da chamada “Web 2.0”, tendo em vista a tendência de colaboração e personalização da informação. Para isso, pretende discutir o conceito de interface cultural para expressão de novos valores da cultura contemporânea, apontando modelos de navegação e organização de conteúdo na Internet. ”

Segue abaixo a minha apresentação:

September 4, 2007

Mídias locativas

Filed under: navegação, metadados, tags, mapa — Daniel @ 10:40 am

Eu estava esperando um momento mais tranquilo para poder postar algo mais consistente sobre Mídias Locativas. Mas é tanta coisa legal que tem para se falar desse assunto que tá dificil me conter.

Em resumo, trata-se da possibilidade de associar informações digitais ao espaço geográfico. Ou seja, podemos começar a popular o ciberespaço com informações que possuem referências a lugares reais, e não mais a “servidores”.

Um exemplo: imagine que sua câmera ou celuluar possua GPS. Você faz uma viagem e pode tira fotos ou enviar algum SMS e, imediatamente, associar tais informações às suas coordenadas geográficas.

Pra começar, leiam este artigo: Geotagging links photos to locales.

Outras referências:

http://www.metalocative.com/
http://oakland.crimespotting.org/
http://www.benedictoneill.com/content/newsmap/
http://www.flagr.com/
http://www.theorganiccity.com/wordpress/
http://city.ask.com/city

Sempre gostei de mapas…

August 20, 2007

Meu Belo Horizonte

Filed under: vida urbana, arquitetura da informação, navegação, metadados, mapa — Daniel @ 1:01 pm

Já conheçe o Flagr? Muito legal. Utiliza o API do Google Maps para personalizar lugares, criar mapas, fazer comentários nos mapas dos outros, etc. etc. etc. Segundo eles mesmos, o “bookmark do mundo real”.

August 17, 2007

Questão de linguagem

Filed under: metadados, conhecimento — Daniel @ 11:33 pm

Acabei de chegar de uma palestra do Pierre Levy. Ele foi um dos convidados de um seminário numa faculdade de comunicação aqui de São Paulo.

Constrangedor. Arrumaram um infeliz para traduzir. O coitado, amador, sem nenhuma competência ou domínio técnico, provavelmente um aluno da faculdade, infelizmente virou o centro das atenções. Em primeiro lugar, não havia tradução simultânea (com cabines e fones de ouvido), o que, no meu ponto de vista, já é um lamentável indício de amadorismo por parte da organização do evento. Cada frase do palestrante era seguida da “tradução”, interrompendo o raciocínio. Ou seja, perda de agilidade, de tempo, de credibilidade. A platéia, inúmeras vezes, se manistou, até mesmo corrigindo navalhadas do cidadão.

O tema era interessantíssimo: web semântica e redes sociais. Acho que criei uma expectativa enorme para poder ver, ao vivo, o cara que estou estudando. Admito que já estava me preparando para alguma decepção. Não desse tamanho, lógico. Bom, fica para uma próxima. Desperdiçaram uma excelente oportunidade.

Ah, a faculdade é esta: http://www.fapcom.com.br/

Agora, sobre RSS

Filed under: arquitetura da informação, classificação, metadados, conhecimento — Daniel @ 12:15 pm

Da mesma empresa que fez o video sobre o delicious. Esse não é tão legal. E nem citaram o Netvibes.

August 15, 2007

Folksonomia e gestão do conhecimento

“Pundits for new, enterprise-oriented social bookmarking and tagging systems claim they can provide what knowledge management systems haven’t: easy and secure storage, retrieval, and sharing of valuable documentation within an organization and around the Internet.”

Social Bookmarking Apps Provide a New Knowledge Management Platform

August 10, 2007

Web 2.0 vs. Web 3.0

Filed under: comunicação, navegação, metadados — Daniel @ 10:40 am

CEO do Google fala sobre web 2.0 e web 3.0

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