ARRGH… é GASTREET - Daniel Melo Ribeiro

July 7, 2008

Emergência e Caos

Na última quinta-feira, assisti a uma palestra excelente no Itaú Cultural com um (artista? matemático? designer?) colombiano chamado Santiago Ortiz. Trata-se do evento Emoção Art.ficial 4.0 com o tema “emergência”, com exposição de obras digitais, simpósio e workshops.

O cara é muito bom. Apresentou de maneira muito clara, sempre com exemplos, os conceitos básicos da teoria do caos e complexidade. Ele utiliza princípios básicos da emergência em sistemas dinâmicos, tais como a a interação local entre componentes simples para gerar padrões gerais de comportamento, para construir interfaces interativas (disponíveis na internet).

O mais legal é perceber que as pesquisas em teorias da complexidade são transdiciplinares e conseguem transitar tranquilamente entre a biologia, a matemática, a física, a linguística e o design. Os exemplos trazidos na palestra, basicamente, consistiam em visualizações não-lineares de fenômenos complexos, sejam redes sociais, evolução genética de bactérias ou comportamento de partículas. O cara se apóia na visualização de dados para demonstrar todos esses fenômenos. Interessante também registrar o objetivo de construir interfaces que sejam úteis aos indivíduos para compreender melhor alguma situação complexa, e não simplesmente criar projetos experimentais.

Alguns modelos:

6pli

6pli - um sistema de visualização para o Del.icio.us

mitozoos.gif

Mitozoos -  modelo interativo que simula a vida artificial de criaturas criadas digitalmente. O modelo contempla evolução genética, competição por alimento, reprodução e mutação.

social.gif

Automatas - um modelo bastante didático, que ilustra muito bem o comportamento de elementos dentro de um sistema dinâmico. Com apenas duas variáveis (amor x ódio), somos capazes de estabelecer regras de funcionamento de atração e repulsa mútua entre os componentes, tal como uma telenovela.

October 21, 2007

As we may think

“Nossa incapacidade de obter um registro é amplamente causada pela artificialidade dos sistemas de indexação. Os dados de qualquer natureza, quando estocados, são arquivados numericamente ou alfabeticamente, e a informação é encontrada num movimento vertical de pesquisa, passando de subclasse em subclasse. O objeto pode estar apenas em um único lugar, a menos que cópias duplicadas sejam utilizadas. Deve haver regras para percorrer tais caminhos, no geral lentas e ineficientes.

A mente humana, por outro lado, não trabalha desta maneira. Ao tomar um item, somos levados instantaneamente a outro item que é sugerido pela imediata associação de pensamentos, de acordo com intrigadas redes de trilhas carregadas pelas células do nosso cérebro.

Por outro lado, o homem não espera duplicar, de maneira completa, esse processo mental artificialmente, mas certamente ele pode aprender algo com isso. A primeira idéia, por sua vez, pode ser desenhada a partir da analogia relativa à seleção. A seleção por associação, não por indexação, pode ser mecanizada. Não podemos esperar, por sua vez, velocidade e flexibilidade igual à mente ao seguir uma trilha associativa, mas poderia ser possível, decisivamente, bater a mente quanto à permanência (capacidade de retenção e memória) e quanto à clareza dos itens recuperados do armazenamento.”

Vannevar Bush, em 1945.

BUSH, Vannevar. As we may think. In: MONTFORT, Nick; WARDRIP-FUIN, Noah. (org.) The New Media Reader. London: MIT Press. 2003

September 4, 2007

Mídias locativas

Filed under: navegação, metadados, tags, mapa — Daniel @ 10:40 am

Eu estava esperando um momento mais tranquilo para poder postar algo mais consistente sobre Mídias Locativas. Mas é tanta coisa legal que tem para se falar desse assunto que tá dificil me conter.

Em resumo, trata-se da possibilidade de associar informações digitais ao espaço geográfico. Ou seja, podemos começar a popular o ciberespaço com informações que possuem referências a lugares reais, e não mais a “servidores”.

Um exemplo: imagine que sua câmera ou celuluar possua GPS. Você faz uma viagem e pode tira fotos ou enviar algum SMS e, imediatamente, associar tais informações às suas coordenadas geográficas.

Pra começar, leiam este artigo: Geotagging links photos to locales.

Outras referências:

http://www.metalocative.com/
http://oakland.crimespotting.org/
http://www.benedictoneill.com/content/newsmap/
http://www.flagr.com/
http://www.theorganiccity.com/wordpress/
http://city.ask.com/city

Sempre gostei de mapas…

August 15, 2007

Folksonomia e gestão do conhecimento

“Pundits for new, enterprise-oriented social bookmarking and tagging systems claim they can provide what knowledge management systems haven’t: easy and secure storage, retrieval, and sharing of valuable documentation within an organization and around the Internet.”

Social Bookmarking Apps Provide a New Knowledge Management Platform

August 8, 2007

Understanding social bookmarking

Filed under: classificação, navegação, conhecimento, tags — Daniel @ 7:00 pm

Bom e didático, ainda que óbvio para quem já conheçe e usa o Delicious.

August 5, 2007

folksonomia, metadados e ontologias

Li este excelente artigo:

Ontology is Overrated: Categories, Links, and Tags

Alguns trechos:

“A lot of the conversation that’s going on now about categorization starts at a second step - “Since categorization is a good way to organize the world, we should…” But the first step is to ask the critical question: Is categorization a good idea?”

“There’s an analogy here with every journalist who has ever looked at the Web and said “Well, it needs an editor.” The Web has an editor, it’s everybody. In a world where publishing is expensive, the act of publishing is also a statement of quality — the filter comes before the publication. In a world where publishing is cheap, putting something out there says nothing about its quality. It’s what happens after it gets published that matters. If people don’t point to it, other people won’t read it. But the idea that the filtering is after the publishing is incredibly foreign to journalists.”

Uma vez que a Arquitetura da Informação lida diretamente com organização de conceitos, acho fundamental olharmos para folksonomia com mais cuidado. Acho que a pesquisa em AI precisa avançar em novas frentes, explorando potenciais tendências de manipulação da informação digital que questionem e subvertam modelos antigos de design interativo.

O Urso Polar é bom, mas acho que já conseguimos ir além.

August 3, 2007

Data visualization

Filed under: arquitetura da informação, navegação, metadados, tags, mapa — Daniel @ 3:53 pm

Taí um assunto muito bom, não deixe de ver os links abaixo:

Data visualization: modern approaches

Newsmap

digg bigspy

July 16, 2007

Social data browsing

Filed under: arquitetura da informação, classificação, navegação, metadados, tags — Daniel @ 10:48 pm

“Can computer media be used to create artistic representations that link the individual and the social without subsuming one in the other, i.e. the particular in the general? If we consider the range of computer techniques available for organising and viewing data, things look quite encouraging. We can switch between multiple views of the same data, traverse the data at different scales, and move between multiple media linked together. And we can do this in near or close to real time. We can also instruct software to search through and mine very large amounts of data - such as the data produced by the millions of real people who engage in online chat, write blogs, send emails, upload their photos on Flickr and so on. What types of representation can be created if we combine these computer techniques and new ways of gathering data as well as of structuring and displaying it? (…)

This is a new period we are living in now. It is a period when more prosaic but ultimately more consequential ways of exploring data have come to the forefront, including search engines available to the masses and data mining as used by companies and government agencies.”

MANOVICH, Lev. Social Data Browsing. Tate Online - Net Art. Fevereiro de 2006. Disponível em: < http://www.tate.org.uk/netart/bvs/manovich.htm >.

July 9, 2007

“Babel”: interface de navegação web baseada na organização do conhecimento

Filed under: navegação, classificação, metadados, conhecimento, TIDD, tags, artigo — Daniel @ 11:34 am

Neste estudo, iremos avaliar uma proposta de interface para navegação na Internet chamada “Babel”, criada pelo artista Simon Biggs.

“Babel”: a engenharia reversa das bibliotecas

Biggs é um artista australiano que trabalha com tecnologias digitais desde 1978, quando começou a utilizar computadores para produzir imagens e animações. Desde então, seus trabalhos buscam explorar os potenciais da interatividade digital. Nosso interesse neste estudo estará voltado para a obra “Babel”, de Maio de 2001.

Nessa obra, Biggs construiu um modelo 3D de navegação na web inspirado no sistema de classificação decimal de Dewey, amplamente utilizado na organização de livros em bibliotecas. Em Babel, os usuários percebem, na tela, um ambiente de dados numéricos formatados no padrão sugerido por Dewey. Tais dados estão organizados em linhas e colunas e a navegação ocorre pela simples movimentação do mouse na tela. Números dinâmicos são gerados a todo momento e, cada vez que o mouse é clicado, abre-se uma nova janela do navegador com um site cujo conteúdo esteja relacionado ao número. Múltiplos usuários podem navegar ao mesmo tempo no ambiente e compartilhar, de maneira visual, as ações dos outros usuários. Quanto mais pessoas navegam simultaneamente, novas “camadas” de números são interpostas, criando um ambiente dinâmico e compartilhado de navegação, de forma que um usuário pode ver as ações dos outros. A obra pode ser acessada no seguinte endereço: http://hosted.simonbiggs.easynet.co.uk/babel/babel.htm

Babel - screenshot

Fig. 1: Imagem da obra “Babel”

Sistema Decimal de Classficação de Dewey

A metáfora chave dessa obra de Biggs é a associação conceitual com o sistema Decimal de Classificação, criado por Melvil Dewey (1851-1931). Trata-se do sistema de classificação mais utilizado em bibliotecas no mundo. Propõe a organização de todo o conhecimento humano por meio de um código numérico infinitamente divisível, partindo das classes “gerais” estudadas desde a época das primeiras universidades na Europa. O sistema sofreu inúmeras expansões ao longo dos anos, mas, essencialmente, consiste em classificar todo o conhecimento em dez categorias:

000 Computadores, informação e referência geral
100 Filosofia e Psicologia
200 Religião
300 Ciências Sociais
400 Línguas
500 Ciência e matemática
600 Tecnologia
700 Arte e Lazer
800 Literatura
900 História e Geografia

O sistema utiliza dez classes principais, com divisões e subdivisões em grupos numerados também de 0 a 9, sucessivamente, até que seja suficiente para detalhar a especialização do assunto. Exemplo: 300 - Ciências Sociais, 340 - Direito, 344 - Direito Romano. São também utilizadas “divisões de forma” e “divisões geográficas”, a fim de detalhar o formato do material bibliográfico (dicionários, ensaios, periódicos, por exemplo) e o país específico. Toda publicação, então, pode ser classificada em um critério numérico e facilmente organizada em prateleiras, bastando resumir suas referências em fichas ou cartões para consulta rápida.

Uma breve história social do conhecimento

Como ter acesso à informação precisa? Como classificar todo o conteúdo que é gerado incessantemente pelos blogs, comunidades, listas de discussão e portais de notícias?

Questões semelhantes também preocupavam os contemporâneos de Dewey, porém numa escala e em contextos diferentes. Com a popularização da imprensa, o acúmulo de publicações começou a preocupar alguns “bibliotecários”, que passaram a pesquisar maneiras de se classificar e organizar livros. A partir do século XV, diversas propostas surgiram, quase sempre baseadas nas disciplinas acadêmicas das universidades da época, definidas da seguinte forma: o primeiro grau, ou bacharelado, era composto pelo Trivium (gramática, lógica e retórica) e pelo Quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música). Em seguida, vinham as “disciplinas superiores”: teologia, direito civil e canônico e a medicina. Posteriormente, sob a influência do iluminismo, disciplinas como a engenharia e as artes mecânicas ganharam mais espaço.

BURKE (2003), coloca que modelos de classificação do conhecimento sempre foram perseguidos por filósofos e pesquisadores. Aristóteles já havia proposto, no estudo chamado Organon, a classificação das coisas do mundo nas seguintes categorias: substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, condição, ação e paixão. Algumas enciclopédias chinesas, por sua vez, propuseram os seguintes critérios de ordenamento de seus manuscritos: fenômenos celestes, geografia, imperadores, natureza e conduta humana, governo, rituais, música, direito, funcionários, ordens de nobreza, assuntos militares, economia doméstica, propriedade, vestuário, veículos, ferramentas, alimentos, utensílios, artesanato, xadrez, taoísmo, budismo, álcool, medicina e história natural.

Podemos dizer que a classificação do conhecimento sempre esteve, portanto, associada ao contexto sócio-histórico do momento. Porém, sem abandonar a idéia de acomodar novos conhecimentos futuros. Segundo Durkheim (apud BURKE 2003), “as categorias do pensamento humano nunca são fixadas de forma definitiva; elas se fazem, desfazem e refazem incessantemente: mudam com o lugar e com o tempo”.

Internet: “catálogo” digital do conhecimento

A Internet representa hoje o nosso principal repositório de informações. Ao mesmo tempo, constitui-se num ambiente de constante dinamismo, onde relações sociais se estabelecem com o envolvimento de novos atores, a ponto de introduzir um novo paradigma nas comunicações humanas. Assim, de maneira divergente à biblioteca tradicional, a informação na rede é fluida, mutante, desordenada por definição.

Ao associar a tradicional classificação das bibliotecas a páginas de Internet, Biggs provoca uma releitura interessante sobre a atual condição da informação em rede. Mais do que “classificar” e “navegar” na web, Babel remete à questão da sobrecarga de informações. Ao contrário das bibliotecas, que historicamente representam o lugar do “ordenamento” e a “hierarquia”, a Internet se expande de maneira rizomática e caótica, publicando informações desordenadas a todo momento.

Biggs buscou duas fortes referências para a sua obra. A história bíblica de Babel nos conta sobre a proliferação de línguas e culturas num mesmo ambiente, que acabou por levar à desagregação da sociedade. Historicamente, Babel representou um centro econômico, social e político do mundo antigo, que atraía, portanto, diversos imigrantes de diferentes nacionalidades.

Torre de Babel - Brueghel
Fig. 2: Torre de Babel, por Pieter Bruegel de Oude.

Outra referência é o conto de Jorge Luis Borges, “Biblioteca de Babel”. Uma imensa biblioteca, composta por um acervo infinito, supõe registrar, nos seus volumes, toda a realidade existente. Curiosamente, seu material é composto por inúmeras referências repetidas, incompletas, redundantes ou que não fazem o menor sentido.

“Babel”, então, é um signo atual da condição da informação eletrônica. Ao tomar emprestada a taxonomia das bibliotecas para traduzir a Internet, Biggs traz para o nosso cotidiano uma reflexão sobre a maneira como navegamos. Traduz, numa interface visual navegável, porém densa e sobreposta, a informação codificada por um critério lógico. Apresenta-se, no entanto, sem a pretensão de abrigar todo o conhecimento humano atual num sistema organizado e estável de referências.

Interface construída por metadados

“Babel” também pode ser analisada sob outro ponto de vista interessante: o uso dos metadados na construção de sistemas interativos de navegação.

Podemos considerar o código numérico gerado pela classificação de Dewey como um dado qualquer, assim como registros em um banco de dados, coordenadas em um gráfico ou cores representadas por algarismos hexadecimais. O dado em si, não carrega qualquer significado intrínseco. O contexto onde está inserido e sua comparação com outros dados é que nos faz obter uma informação real. Ou seja, a informação surge a partir da interpretação de dados. Em outras palavras, quando construímos sentido aos dados, eles se tornam informação.

Por outro lado, a representação numérica de Dewey carrega consigo uma característica a mais. Ao serem construídos a partir de uma regra ou código semântico compartilhado, os algarismos de uma obra também explicam do que ela se trata. Portanto, ao utilizar um código de classificação socialmente compartilhado para organizar sites da Internet, Biggs foi capaz de construir um sistema de navegação por metadados. Ele acrescentou ao uso comum do hiperlink uma significação a mais, tanto sob o ponto de vista do seu destino (para onde o clique do mouse vai levar), quanto pela sua disposição e movimentação espacial.

Uma das apostas dos pesquisadores para promover uma melhor integração dos dados na Internet é a chamada Web Semântica, baseada em metadados. Os metadados têm sido apontados como uma das soluções para tornar a procura pela informação mais eficiente. A associação de descrições sobre o próprio documento serve como base para melhorar aplicações em diferentes situações, tais como busca e localização, personalização e distribuição automatizada.

Enfim, podemos concluir que “Babel” pode ser interpretada de diversas maneiras. O ponto de vista mais adequado para o recorte desta pesquisa é justamente o fato de que a obra aponta para modelos alternativos de navegação e interatividade na web. Outros artistas e designers também têm estudado essa questão, cuja análise foge ao escopo proposto. “Babel” foi selecionada por representar muito bem a associação de um código semântico (metadados) à maneira como as pessoas navegam na Internet.

Referências

BIGGS, Simon. Website Pessoal. 2007. Disponível em < http://www.littlepig.org.uk/ > Acessado em 06/03/2007

BIGGS, Simon. Babel, 2001. Disponível em < http://hosted.simonbiggs.easynet.co.uk/babel/babel.htm > Acessado em 06/03/2007

BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutemberg a Diderot.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. 241 p.

DIETZ, Steve. Reverse Engineering the Library. Minneapolis, USA. 2001. Disponível em < http://hosted.simonbiggs.easynet.co.uk/babel/intro.htm > Acessado em 06/03/2006

Mapa conceitual auto-biográfico - Território existencial auto-referencial

Filed under: conhecimento, tags, TIDD, artigo, mapa — Daniel @ 11:20 am

Daniel Melo Ribeiro

Este artigo surgiu a partir de uma demanda da disciplina “Conceitos Fundamentais e Práticas no Design e Estéticas Tecnológicas”, ministrada pela Prof. Lucia Leão no curso de pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital da PUC-SP.

Subjetividade: “o conjunto das condições que torna possível que instâncias individuais e/ou coletivas estejam em posição de emergir como território existencial auto-referencial, em adjacência ou em relação de delimitação com uma alteridade ela mesma subjetiva.” (GUATTARI. “Caosmose. Um novo paradigma estético”. Rio de Janeiro - Ed. 34, 1992.)

“… the real challenge of data art is not about how to map some abstract and impersonal data into something meaningful and beautiful - economists, graphic designers, and scientists are already doing this quite well. The more interesting and at the end maybe more important challenge is how to represent the personal subjective experience of a person living in a data society. If daily interaction with volumes of data and numerous messages is part of our new ‘data-subjectivity’, how can we represent this experience in new ways? How new media can represent the ambiguity, the otherness, the multi-dimensionality of our experience, going beyond already familiar and ‘normalized’ modernist techniques of montage, surrealism, absurd, etc.? In short, rather than trying hard to pursue the anti-sublime ideal, data visualization artists should also not forget that art has the unique license to portray human subjectivity - including its fundamental new dimension of being ‘immersed in data.’” (MANOVICH, Lev. Data Visualisation as New Abstraction and Anti-Sublime. Disponível em www.manovich.net/DOCS/data_art_2.doc)

“Os limites da linguagem representam os limites do meu mundo” (Wittgenstein).

Ética – fazer
Estética – sentir
Lógica – pensar

Mapeamento de dados: faces de um universo digital

Um dos maiores desafios da “era da informação” está em encontrar, dentre a massa de dados disponíveis, um recorte mais relevante que atenda uma dada carência de conhecimento. Tal volume de dados que circula pelas novas mídias interativas certamente tende a se potencializar com o avanço incessante da tecnologia da informação e do universo digital. Afinal, desde que passamos a colaborar com a produção de conteúdo para a Internet por meio da popularização de ferramentas como blogs, fotologs, wikis e podcasts, virtualmente estamos aptos a alcançar qualquer público.

Nesse contexto, cabe aos profissionais da informação munir-se de novas estratégias e metodologias para mapear e exibir recortes de dados da maneira mais apropriada para a sua audiência, a fim de oferecer-lhes informação nova e útil. Assim, o desenvolvimento de mecanismos mais inteligentes de busca na Internet, personalizados de acordo com as preferências do usuário, e a expansão do uso dos metadados são exemplos de esforços promovidos pelas equipes de TI para justamente adicionar mais relevância aos dados em formato digital.

Atualmente, as propostas de sites mais populares disponíveis na Internet (e comercialmente mais chamativas) são aquelas que, de alguma forma, souberam mapear a informação oferecida de uma maneira inovadora e simples. Na maioria das vezes, contando com a participação do usuário, afinal ninguém melhor do que o próprio interessado e sua comunidade para classificar um conteúdo dentro das suas preferências e expectativas. A “Internet colaborativa”, então, é o jargão do momento, o norte para aqueles que buscam mais “humanização” na rede.

Arquitetura da informação e a criação de mapas conceituais

A demanda deste exercício consiste em criar um mapa conceitual biográfico, que contenha conceitos relevantes da trajetória do autor, embasado pelos pilares da “estética”, da “ética” e da “lógica”.

Podemos dizer que a criação de mapas conceituais representa um esforço de recorte de informações numa outra perspectiva, muitas vezes mais visual, esquemática e não linear. É uma ferramenta didática útil para a representação de conceitos e os seus relacionamentos entre si.

Porém, como representar conceitos tão complexos como “trajetória de vida”, “sonhos”, “expectativas”, “experiências”, “desejos” e “conhecimento”, delimitando-os numa linha de tempo recheada de subjetivismo? Como poderíamos representar um mapa conceitual autobiográfico que fosse compreensível para o leitor? Absolutamente não haveria uma maneira de se totalizar num esquema algo tão rico em conceitos diversos, emaranhados numa rede de interconexões que só fazem sentido no universo do próprio autor.

De maneira análoga, os profissionais da arquitetura da informação se deparam com constantes desafios desse tipo. Precisam criar propostas de mapeamento de dados, dentre conceitos muitas vezes nebulosos, cujos relacionamentos se estreitam, à medida que adentramos no seu universo. Mas, justamente por isso, não cabe a eles transportar todo esse conhecimento (que sempre será individual) para um sistema de informação, e sim ter a competência para escolher o mapeamento mais adequado ao seu público.

Assim, o mapa conceitual autobiográfico deste exercício consistirá numa circunscrição ou recorte de certos aspectos, de alguma maneira significativos, a fim de auxiliar num processo de auto-conhecimento. Mas sem a pretensão de esgotar a “essência” do autor. Muito pelo contrário, estará aberto para constantes contribuições.

Território existencial auto-referencial

Os lugares que já visitamos ou que costumamos ir dizem muito sobre nossos hábitos, preferências e desejos. Guardar registros dessas passagens pode nos ajudar a compreender os porquês das nossas escolhas, nos dão uma visão da nossa condição atual e nos projetam para novas experiências. Mais do que isso, tais registros também podem ter muito significado para outras pessoas, afinal os lugares são públicos. Como pontos de paradas em rodovias ou nós em uma rede.

Então, sob essa perspectiva, criei um perfil no Delicious (http://del.icio.us). Ao compartilhar meus bookmarks e tornar públicas as paradas que fiz e costumo fazer na Internet, apresento um mapeamento da minha própria biografia, num recorte simplificado.

Além disso, ao criar tags para cada um dos sites visitados, classifico tais registros em agrupamentos conceituais. Posso também perceber, num modo de visualização chamado tag cloud, quais agrupamentos estão mais “recheados” de links, o que me permitirá concluir qual aspecto tem mais “peso” em minha vida. Por fim, permito que outras pessoas transitem pelos meus registros, conheçam novos lugares, identifiquem-se com minhas preferências. (e vice-versa).

O Delicious é, como o Flickr (http://www.flickr.com), o Youtube (http://www.youtube.com), o MySpace (http://www.myspace.com) e o Digg (http://www.digg.com), uma ferramenta de socialização de conteúdo na Internet. No seu caso, as URL’s da Internet são seus dados, mas a informação que a torna interessante para a comunidade é a que diz: “eu passei por aqui e gostei”.

Alguém passou por aqui

Tal como animais que delimitam o seu território, gostamos também de demonstrar aos outros que um determinado lugar também é parte da nossa existência. Mais do que “espaços” como dimensões abstratas, demarcamos os nossos “lugares”, nossos territórios de afetos.

Os links foram adicionados num processo de brainstorm, a medida que foram sendo lembrados, e, por esse motivo eu não pretendia esgotar a infinidade de sites que já visitei. Mas, a lista só tende a crescer, ao passo que freqüentes atualizações serão feitas (essa é a proposta!).

Por outro lado, realizar essa carga inicial sem muito critério apontou para um fato significativo: representa o que estava em minha lembrança no momento em que fazia o exercício. Tal como uma imagem refletida. Está lá o que eu sou hoje, pelo menos um resumo. Bom, se serviu de alerta para mim mesmo, acho que coloquei links demais na categoria “trabalho”…

Daniel Melo Ribeiro
http://del.icio.us/danielmelo

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