Benjamin, por Martín-Barbero

Folheando, despretensiosamente, o livro do Martín-Barbero, encontro algumas preciosas reflexões sobre Benjamin, o pensador “marginal” da Escola de Frankfurt.

“A ruptura está no ponto de partida. Benjamin não investiga a partir de um lugar fixo, pois toma a realidade como algo descontínuo. (…) Essa dissolução do centro como método é o que explica seu interesse pelas margens, esses impulsos que trabalham as margens seja em política ou em arte.” (p. 80)

“Benjamin foi o pioneiro a vislumbrar a mediação fundamental que permite pensar historicamente a relação da transformação nas condições de produção com as mudanças no espaço da cultura, isto é, as transformações do sensorium dos modos de percepção, da experiência social. Mas para a razão ilustrada a experiência é o obscuro, o constitutivamente opaco, o impensável. Para Benjamin, pelo contrário, pensar a experiência é o modo de alcançar o que irrompe na história com as massas e a técnica. Não se pode entender o que se passa culturalmente com as massas sem considerar a sua experiência. Pois, em contraste com o que ocorre na cultura culta, cuja chave está na obra, para aquela outra a chave se acha na percepção e no uso.” (p. 80)

“Benjamin se propõe então a tarefa de pensar as mudanças que configuram a modernidade a partir do espaço da percepção, misturando para isso o que se passa nas ruas com o que se passa nas fábricas e nas escuras salas de cinema e na literatura, sobretudo na marginal, na maldita.” (p. 81)

 

MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. 7.ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2015.

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