Category: TIDD

Agora foi: Visualização de dados na Internet

Concluí meu mestrado na última segunda-feira, dia 02/03/2009.

Participaram da banca as professoras Lucia Leão (orientadora), a Lucia Santaella e a Rejane Spitz. Recebi excelentes comentários sobre o trabalho, alguns puxões de orelha e alguns elogios também.

(agora vem a parte mais piegas desse post. Desculpe, tenho esse direito)

Sempre haverá arestas a remover. Mas estou muito feliz por ter concluído no prazo. No começo foi bem complicado. Tinha acabado de me mudar de BH para SP. Vendi meu carro para ajudar nas mensalidades e consegui bolsa somente no último semestre. Encarei o trânsito da Rebouças para assistir umas aulas à tarde e fiquei alguns finais de semana por conta de estudar. No final, o esforço (que nem foi tão grande assim) valeu muito. Muita coisa mudou para melhor desde que decidi fazer mestrado e me mudar para SP.

Alguns agradecimentos:

Letícia: paciente e equilibrada, contribuiu muito com o texto e com afagos nos momentos mais oportunos. Aguardo a sua banca com ansiedade!

– Dalka, minha sogra: excelente revisão! A banca não localizou um erro ortográfico!

– Leila, minha mãe: não me deixou desistir quando a grana apertou. “Num instante passa, meu filho…”

RIBEIRO, Daniel Melo. Visualização de dados na Internet. 2009. 132 f. Dissertação (Mestrado em Tecnologias da Inteligência e Design Digital) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2009.

Esta pesquisa debate os novos desafios impostos pelas tecnologias da informação a partir da seguinte questão: como lidar com o excesso de informações. A busca pelas formas de favorecer o conhecimento no ciberespaço demanda investigações sobre propostas mais inteligentes de representação dessas informações. Estamos diante da necessidade de reorganização da informação no espaço digital, que, por sua vez, requer um olhar mais aprofundado sobre as práticas do design. Para traçarmos o papel do designer como projetista das interfaces do ciberespaço, retomamos a relevante contribuição dada pelo design da
informação, área de estudos que investiga a compreensão da informação por meio de representações visuais. Considerando a cartografia como a necessidade humana de realizar representações visuais de sistemas complexos de informação, a visualização se constitui, no contexto desta pesquisa, como instrumento fundamental para revelar sentidos ocultos, invisíveis numa observação restrita aos dados em si. Manovich coloca que o conceito de mapeamento também está intimamente relacionado à visualização, pois ao representar todos os dados usando o mesmo código numérico, os computadores facilitam o mapeamento de uma representação em outra. A visualização pode, então, ser concebida como um tipo de mapeamento, no qual o conjunto de dados é mapeado em uma imagem. O objetivo principal, portanto, é investigar aplicações que exploram a visualização de dados como proposta para enfrentar os desafios impostos pelo excesso de informações. Para investigar a hipótese de que a visualização de dados se constitui como manifestação relevante para a geração de conhecimento, este trabalho analisa propostas interativas de visualização de dados dinâmicos, a partir da coleta de uma amostragem significativa de aplicações disponíveis na Internet. Com uma visão geral dos tipos de visualização, foi criada uma classificação, inspirada na necessidade de se compreender os contextos e as possíveis relações simbólicas que tais aplicações possam representar aos indivíduos na Internet. Por fim, são apontados alguns caminhos futuros de pesquisa, a partir do olhar crítico sobre a informação, o design e a visualização.

Palavras-chave: ciberespaço, visualização, design da informação, mapeamento, cartografia.

Visualização de dados

Enfim, posso decretar que este é o tema do minha dissertação. Segue um trecho do capítulo que iniciei este final de semana (lá embaixo tem uma citação, facilmente identificável pelas aspas).

O convívio com os dados é parte significativa do cotidiano dos indivíduos e se intensifica quando sua própria comunicação em sociedade é intensamente mediada por dispositivos de processamento de dados digitais. Claramente percebemos que lidar de maneira direta com esses dados será uma tarefa ingrata e desgastante, a menos que tenhamos instrumentos mais adequados de agregar algum sentido interpretativo a esses dados. A interpretação dos dados gera informação, que, trabalhada na experiência individual, torna-se insumo para gerar conhecimento.

Um caminho para instrumentalizar o indivíduo a conviver melhor nesse ambiente de saturação de dados é desenvolver ferramentas que auxiliem na sua interpretação. Há inúmeras possibilidades de filtragem e recombinação, mas que, sem uma forma adequada de exibição, dificilmente suas relações serão percebidas ou farão qualquer sentido ao indivíduo comum.

“Os artistas da visualização de dados transformam o caos informacional de pacotes de dados que se locomovem através da rede em formas claras e ordenadas. (…) A visualização de dados nos permite enxergar padrões e estruturas por detrás do vasto e aparente fortuito conjunto de dados. (…) Os dados quantitativos são reduzidos a seus padrões e estruturas, os quais, a seguir, explodem em inúmeras imagens visuais ricas e concretas.”

MANOVICH, Lev. Visualização de dados como uma nova abstração e anti-sublime. In: LEÃO, Lucia. (org.). Derivas: cartografias do ciberespaço. São Paulo: Annablume, 2004, 225p.

Se você também se interessa pelo assunto, recomendo uma visita ao meu delicious. Estive coletando coisas muito boas nos últimos dias.

O Mapa Fantasma: cartografia e pesquisa científica

No trecho a seguir, Johnson desevolve um pouco melhor o tema do seu mais recente livro.

Gostaria de destacar dois aspectos que eu gostei bastante neste livro.

a) o primeiro (já era esperado) diz respeito ao uso de informação local e o cruzamento de dados para construção de representações visuais para gerar novos conhecimentos. Na sua narrativa, o autor apresenta um problema de saúde pública que ocorreu em Londres na metade do século XIX, onde uma epidemia de cólera matou centenas de pessoas num curtíssimo intervalo de tempo. Naquela ocasião, dois indivíduos, a partir do profundo conhecimento local da região de Soho em Londres, venceram a batalha contra a doença por meio da identificação de padrões de contágio entre os moradores. Usaram, para isso, uma base de dados pública e, a partir de uma hipótese até então revolucionária que defendia a transmissão do cólera pela água, cruzaram esses dados com um mapa para criar uma representação visual que sustentasse o argumento proposto. O caso acabou por se tornar uma referência clássica nos estudos do Design da Informação, e o mapa proposto por John Snow (o cientista que liderou a pesquisa) inaugurou uma nova forma de investigação científica, onde o uso de mapas, gráficos e diagramas se tornou poderoso instrumento de descoberta.

Mapa de Soho utilizado pelo Dr. John Snow para identificar padroes de contágio do cólera em Londres

Trazendo a questão pro lado da minha pesquisa de mestrado, (aham… preciso fazer o Jabá) trata-se de um excelente exemplo que confirma a hipótese que proponho: o uso de representções visuais (mais especificamente de mapas) é um instrumento de descoberta heurística e favorece a emergência de novos conhecimentos. Em tempos de Google Maps e API’s, nada mais oportuno do que discutir dados públicos e suas aplicações que utilizam a internet como plataforma de divulgação.

b) O que também me empolgou no livro (e que eu não esperava) foi o convencimento do valor do método científico de pesquisa, questionamento de paradigmas e subversão de valores consolidados. O conhecimento humano e o progresso das civilizações é diretamente proporcional à capacidade mental de cada um de nós de duvidar de conceitos pré-estabelecidos pela tradição ou pelo senso-comum. O raciocínio crítico, no sentido de estabelecer hipóteses a partir de um problema e investigá-las na sua fonte, é o procedimento básico de todo bom pesquisador. Já falei isso aqui algum tempo atrás, mas gostaria de lembrar: o mais legal do mestrado nem é o tema da pesquisa em si, mas o aprender a pesquisar, a amadurecimento do olhar investigativo para as questões do cotidiano.

JOHNSON, Steven. O Mapa Fantasma. Como a luta de dois homens contra o cólera mudou o destino de nossas metrópoles. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

Integração

“Se fosse escolher uma palavra para indicar a tendência da Internet em 2008, seria ‘integração’, a ênfase da parte “inter” da internet. Tanto as comunidades virtuais e redes sociais, vindo de baixo para cima, como ferramentas e conceitos como a Web 2.0, vindos de cima para baixo, tenderão a integrar as iniciativas na rede. As comunidades se interligarão e interagirão, assim como é a tendência que vemos nos equipamentos. Cada vez mais, nada é ‘exclusivo’ na rede”.
Demi Getschko, diretor do Núcleo de Informação e Coordenação do NIC.Br e pai da internet no Brasil.

Trecho da matéria do brother Felitti para o IDG.

Detalhe: aguardo com ansiedade as aulas com o Demi este semestre.

Sobre a angústia do conhecimento

Tenho estado bastante angustiado com a (aparente, talvez…) falta de progresso do meu mestrado.

Mas li algo hoje que me deixou mais aliviado, afinal mostrou que não se trata de uma incapacidade dos mortais. Espero, sinceramente, que isto possa me ajudar daqui pra frente.

“A consciência do inacabamento do saber é por certo muito espalhada, mas não lhe tiramos as conseqüências. Assim, construímos as nossas obras de conhecimento como casas com o seu telhado, como se o conhecimento não fosse à céu aberto; continuamos a fazer obras estanques, fechadas para o futuro que fará surgir o novo e o desconhecido. (…) As grandes obras são-no apesar do seu acabamento, e algumas são grandes por serem inacabadas (…) Assim, parece-nos desejável que toda obra seja trabalhada pela consciência do inacabamento. Que toda obra não mascare a sua brecha, mas que a marque. (…)”

MORIN, Edgar. O Método III. O Conhecimento do conhecimento. 2ª. Ed. Publicações Europa-América, 1996.

Morin comenta sobre sua própria obra e afirma que seu texto “acabará inacabado”. Abaixo, ele comenta o momento em que chutou o balde e resolveu finalizar seu livro (O Método):

“Deveria logicamente, racionalmente, universitariamente, ter esperado até o infinito. Senti-me de repente – foi em Nova Iorque, em Setembro de 1983 – suficientemente forte para lançar vôo. E lancei-me, rolando pesadamente, terrivelmente, dolorosamente, embora no máximo das minhas energias para descolar…”

Ainda não me sinto forte o suficiente para parir a minha pesquisa. Porém, só de reconhecer que ela nunca vai se acabar já um passo fundamental para eu continuar.

Tenho gostado demais de fazer mestrado. Principalmente porque estou descobrindo que é muito mais legal refletir sobre o processo de construção do conhecimento (e o meu amadurecimento próprio) do que pesquisar o objeto.

A pesquisa, em si, é só um instrumento.

Nosso novo paradigma

Paradigma, segundo Thomas Kuhn (e a Wikipedia): conjunto de práticas que definem uma disciplina científica durante um período particular de tempo.

Sobre o novo paradigma introduzido pelas tecnologias da informação:

“A história da vida, como a vejo, é uma série de situações estáveis, pontuadas por intervalos raros por eventos importantes que ocorrem com grande rapidez e ajudam a estabelecer a próxima era estável. (…) No final do século XX vivemos um desses raros intervalos na história. Um intervalo cuja característica é a transformação de nossa “cultura material” pelos mecanismos de um novo paradigma tecnológico que se organiza em torno da tecnologia da informação. (…)

Este é, (…) no mínimo, um evento histório da mesma importância da Revolução Industrial do século XVIII, induzindo um padrão de descontinuidade nas bases materiais da economia, sociedade e cultura. (…)”

Castells caracteriza esse novo paradigma sob cinco aspectos:

1) informação é a nova materia-prima: tecnologias para agir sobre a informação e não somente informação para agir sobre a tecnologia
2) penetrabilidade dos seus efeitos: todos os processos da nossa existência individual e coletiva são moldados pelos efeitos da nova tecnologia
3) lógica de redes: descentralização, interações complexas, espaço de fluxos e relações rizomáticas determinam não somente a interconexão da informação, mas o próprio comportamento da sociedade e da economia.
4) Flexibilidade: facilidade de adaptação e rapidez das mudanças
5) convergência e integração de tecnologias

CASTELLS, M. A Sociedade em Rede. A era da informação: economia, sociedade e cultura. Vol. 1. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

folksonomia, metadados e ontologias

Li este excelente artigo:

Ontology is Overrated: Categories, Links, and Tags

Alguns trechos:

“A lot of the conversation that’s going on now about categorization starts at a second step – “Since categorization is a good way to organize the world, we should…” But the first step is to ask the critical question: Is categorization a good idea?”

“There’s an analogy here with every journalist who has ever looked at the Web and said “Well, it needs an editor.” The Web has an editor, it’s everybody. In a world where publishing is expensive, the act of publishing is also a statement of quality — the filter comes before the publication. In a world where publishing is cheap, putting something out there says nothing about its quality. It’s what happens after it gets published that matters. If people don’t point to it, other people won’t read it. But the idea that the filtering is after the publishing is incredibly foreign to journalists.”

Uma vez que a Arquitetura da Informação lida diretamente com organização de conceitos, acho fundamental olharmos para folksonomia com mais cuidado. Acho que a pesquisa em AI precisa avançar em novas frentes, explorando potenciais tendências de manipulação da informação digital que questionem e subvertam modelos antigos de design interativo.

O Urso Polar é bom, mas acho que já conseguimos ir além.

The database logic

“After the novel, and subsequently cinema privileged narrative as the key form of cultural expression of the modern age, the computer age introduces its correlate – database.(…) It is this sense of database as a cultural form of its own which I want to address here. (…) we may even call database a new symbolic form of a computer age, a new way to structure our experience of ourselves and of the world. (…) the world appears to us as an endless and unstructured collection of images, texts, and other data records, it is only appropriate that we will be moved to model it as a database. But it is also appropriate that we would want to develops poetics, aesthetics, and ethics of this database.”

MANOVICH, Lev. The database logic. Disponível em < http://vv.arts.ucla.edu/AI_Society/manovich.html >

Fluxos dinâmicos de informação no planejamento urbano

Fluxos dinâmicos de informação no planejamento urbano: estratégias para simulação e compreensão de variáveis de um sistema

Resumo

Este trabalho irá abordar ao questão da complexidade das grandes metrópoles a partir do estudo do espaço de fluxos. Para isso, irá tratar do contexto atual urbano e sua relação com as tecnologias da informação, a globalização e a lógica de redes. Ao final, será proposta uma estratégia para o planejamento urbano, a partir da análise de um jogo de computador voltado para a simulação de cidades.

Contexto: as tecnologias da informação e a sociedade em rede

“Admitir o primado das estruturas hierárquicas significa privilegiar as estruturas arborescentes (…) Num sistema hierárquico, um indivíduo admite somente um vizinho ativo, seu superior hierárquico (…) Os canais de transmissão são pré-estabelecidos: a arborescência preexiste ao indivíduo que nela se integra num lugar preciso. (…) A estes sistemas centrados, os autores opõem sistemas a-centrados, (…) nos quais a comunicação se faz de um vizinho a um vizinho qualquer, onde as hastes e os canais não preexistem, nos quais os vizinhos são todos intercambiáveis, se definem somente por um estado a tal momento, de tal maneira que as operações locais se coordenam e o estado final global se sincroniza independente de uma instância central.” (DELEUZE e GUATTARI, 1997)

As significativas mudanças provocadas pela penetração da tecnologia da informação em todos os setores da sociedade neste início de século representam um novo marco na história humana. Tal contexto é caracterizado pela intensa aplicação da informação na geração de novos conhecimentos, numa proporção nunca antes verificada, ampliando a capacidade de comunicação entre pessoas.

A rede se tornou um modelo de comportamento e organização interna de elementos de um sistema por melhor traduzir suas relações não-hierárquicas e rizomáticas. Com essa compreensão, a maneira como os sistemas são estudados sofreu profunda mudança de ponto de vista, a partir do momento que os enxergamos como sistemas dinâmicos, internamente estruturados em rede. Podemos expandir esse conceito e encontrar seus reflexos não só em sistemas de computadores, como também na economia, biologia, sociologia e comunicação. Em outras palavras, a lógica do funcionamento de redes tornou-se aplicável a todos os tipos de atividades, contextos e situações. (CASTELLS, 1999, p. 89)

Os espaços urbanos, da mesma forma, também precisam ser observados com essa mesma lógica. Por influenciar decisivamente a mecânica cultural e econômica das instituições sociais (empresas, governo e indivíduos), a presença das tecnologias da informação se tornou fator fundamental para compreender o desenvolvimento das cidades. Dessa forma, as grandes áreas metropolitanas do mundo industrializado refletem a lógica das redes de maneira mais evidente, ao concentrar focos de inovação em tecnologia da informação.

As novas dinâmicas econômicas do espaço urbano

Para compreender as mudanças econômicas ocorridas nas grandes cidades nos últimos anos, é necessário evidenciar como as tecnologias da informação foram decisivas neste processo.

As grandes empresas organizaram-se em redes por necessidade de atuação em escala global do mercado, sustentadas pelas tecnologias de comunicação à distância. Nesse contexto, passaram a exigir profissionais capacitados, formados em centros de pesquisa tecnológica de ponta de grandes universidades. O trabalho desses profissionais envolve, necessariamente, desenvolvimento intelectual para automação de processos e geração de inovação, fatores determinantes para se obter vantagens competitivas. Trata-se, portanto, de uma mudança significativa na maneira como as empresas atuam, não mais sustentadas somente pela fórmula simples de consumo em massa de sua produção em escala. Na nova economia, caracterizada pela globalização e pelo funcionamento em rede, a própria informação se tornou o produto do processo produtivo.

A qualificação incessante dos profissionais passou a ser uma exigência que, inevitavelmente, leva a um abismo crescente entre os que possuem e os que não possuem acesso ao “capital intelectual”. A desigualdade de valores e a distância entre “incluídos” e “excluídos” geram reflexos na esfera social e na composição das novas dinâmicas do espaço urbano das metrópoles.

A interdependência de variáveis

Precisamos, dessa forma, encarar as grandes cidades como verdadeiros organismos complexos compostos de fluxos dinâmicos, com interdependência de seus elementos constituintes, sejam eles econômicos, sociais e culturais. De maneira que, qualquer alteração em um determinado aspecto, gera uma reação em cadeia em diversos outros elementos relacionados entre si.

Ainda que cada aspecto da cidade possua seus próprios desafios e demandas locais, o planejamento urbano exige domínio e conhecimento de inúmeras variáveis, tais como:

* Trânsito;
* Emprego;
* Distribuição de renda;
* Equilíbrio de demandas entre comércio/indústrias/residências;
* Especulação imobiliária;
* Criminalidade;
* Poluição;
* Infra-estrutura (esgoto, energia elétrica, transportes);
* Serviços sociais (saúde, educação, segurança);
* Orçamento;
* Lixo;
* Meio ambiente;
* Lazer;
* Cultura.

Percebemos claramente (pois sofremos isso no nosso cotidiano) que qualquer alteração no trânsito, por exemplo, tem impactos significativos em muitos outros aspectos do nosso dia. Da mesma forma, medidas de lazer e cultura possuem profunda relação com criminalidade e distribuição de renda. A especulação imobiliária, por outro lado, tem estreita influência em fatores como a infra-estrutura e o meio-ambiente, que por sua vez também gera questões sobre trânsito, poluição, lixo, e assim por diante.

Mais do que isso, percebemos que a mesma lógica se aplica a outros recortes dentro de um mesmo sistema. No caso das cidades, por exemplo, a arquitetura de formação de redes é reproduzida tanto no âmbito local quanto regional, entre bairros, cidades e regiões. Assim, encontramos interdependência de variáveis também em escalas menores ou maiores, cujo conjunto de forças atua tanto no seu equilíbrio quanto no seu desequilíbrio interno. Sua resultante tem potencial para desencadear um verdadeiro processo de desestruturação completa, seja ela destrutiva ou criativa.

O espaço de fluxos: um desafio para o planejamento urbano

CASTELLS (ibid) afirma que a era da informação está introduzindo uma nova forma urbana, a cidade informacional, caracterizada pelo predomínio estrutural do espaço de fluxos.

As megacidades – maiores aglomerações urbanas do mundo, segundo a ONU – em especial, se tornam palco de contradições: articulam a economia global, integrando as redes de informação. Por outro lado, abrigam outros segmentos da população em áreas negligenciadas pelas tecnologias de comunicação e ao conhecimento. Se por um lado, estão conectadas a centros globais externos, internamente evidenciam a ruptura de estruturas sociais. Ainda sim, as megacidades continuarão a crescer, pois se constituem como pólos de desenvolvimento econômico, de inovação cultural e política e de conexão às redes globais.

Em sua análise da influência das tecnologias da informação no espaço urbano, o mesmo autor também coloca que, embora os recursos de telecomunicações e transações à distância estejam proporcionando novas possibilidades econômicas, as aglomerações e a proximidade física ainda são realidade. Ou seja, o trabalho ainda é presencial e não será substituído pelo trabalho à distância num curto prazo de tempo.

Por exemplo, o problema dos transportes é crescente, uma vez que requer maior mobilidade física da força de trabalho entre centros e periferia, incentivada pela compressão temporal das empresas em rede (muito mais atividades são realizadas numa mesma jornada de trabalho). O comércio eletrônico não elimina as grandes redes de varejo físicas. Pelo contrário, hipermercados e centros de compra se expandem cada vez mais, ao mesmo tempo em que inauguram suas versões também para a Internet. Idem para os complexos de saúde e as instituições de ensino, que passam a combinar funções locais e sistemas on-line.

Este cenário nos aponta para um desafio interessante: como compreender os fluxos dinâmicos envolvidos nas questões urbanísticas para melhor atuar no planejamento das cidades? Tal questão se torna pertinente ao associarmos, imediatamente, as cidades aos sistemas de informação.

Uma hipótese decorrente desse problema estaria, portanto, em compreender as relações dinâmicas por meio das informações geradas por tais fluxos. Mais precisamente, podemos focar esta análise a partir da visualização e representação dessas informações.

Se a evolução das cidades depende, portanto, da relação de forças entre um dado conjunto de elementos dinâmicos, torna-se estratégico registrar o comportamento de cada variável em bancos de dados em formatos digitais. Assim seremos capazes de criar, com o auxílio do processamento dos computadores, visualizações gráficas dinâmicas (MANOVICH, 2002). Utilizando o mesmo critério, os padrões gerados podem ser comparados isoladamente ou a partir de cruzamentos de variáveis. A visualização dinâmica pode nos desvendar comportamentos interessantes, os quais dificilmente seriam revelados sem o auxílio de processamento digital.

A simples visualização de processos dinâmicos obviamente não irá trazer soluções para a complexidade que envolve os problemas das grandes cidades. Mas, ajudará a compreender o comportamento do espaço urbano e, principalmente, as relações de interdependência de suas variáveis.

Dessa forma, o objetivo específico deste estudo é debater a dinâmica de informações em uma cidade a partir de representações visuais, gráficos e diagramas. No entanto, antes de prosseguir, torna-se necessário apresentar um referencial conceitual para melhor compreender o problema em questão.

A teoria do espaço de fluxos

Iremos, neste momento, recortar parte do referencial teórico proposto por CASTELLS (ibid) para explicar um pouco mais sobre a teoria do espaço de fluxos – fundamental para embasar nossa discussão e identificar a lógica que rege essa nova sociedade que se forma.

Em primeiro lugar, cabe definir o termo fluxo, a fim de delimitar seu sentido aqui usado. São “seqüências intencionais, repetitivas, e programáveis de intercâmbio e interação entre posições fisicamente desarticuladas por atores sociais nas estruturas econômicas, política e simbólica da sociedade.” (p. 501).

Percebemos que o autor provoca uma leitura social de um termo que já possui conotações tecnológicas e comunicacionais, justamente para associar a importância das tecnologias da informação nas esferas da sociedade neste contexto em debate. Dessa forma, fica claro compreender que os processos sociais exercem influência no espaço. Já que, por sua vez, o espaço é o ambiente que reúne práticas sociais que ocorrem simultaneamente, não podemos desassociar espaço de tempo. Em outras palavras, o espaço é, na verdade, a representação de um momento. Um retrato “congelado” de um determinado tempo. “O espaço de fluxos é a organização material das práticas sociais de tempo compartilhado que funcionam por meio de fluxos.” (p. 501)

Planejamento urbano: simulação e divertimento

Já que hipótese aqui apontada envolve justamente utilizar representações visuais para compreender os fluxos dinâmicos de informação internos ao ambiente da cidade, iremos propor a seguinte estratégia: transportar o problema em questão para o universo virtual da simulação de variáveis no computador, com o auxílio de um jogo chamado Sim City1.

Coloque-se no lugar de um urbanista e perceba, logo de início, o quanto é necessário munir-se de ferramentas e estratégias coerentes para resolver questões de planejamento das grandes cidades. Esta é a proposta do jogo: construir e administrar uma cidade, tendo em vista o orçamento disponível e as demandas de seus cidadãos. A partir de um espaço físico delimitado, você deve ser capaz de erguer uma cidade, construindo e gerenciando infra-estrutura básica de saneamento, energia, trânsito, educação, saúde, segurança, lazer, entre outras. Mas sempre tendo em vista o equilíbrio orçamentário, para o contínuo progresso da sua cidade.

O jogador tem, às suas mãos, além dos controles básicos de navegação pelo espaço, ferramentas de construção (e demolição) de áreas urbanas, comerciais e industriais; redes de esgoto, usinas de energia, ruas e avenidas, hospitais, escolas, delegacias, bombeiros, parques, depósitos de lixo, e diversos outros elementos que compõem uma cidade.

Por outro lado, o mais relevante para este estudo está em avaliar as ferramentas disponíveis no jogo para visualização de dados dinâmicos. O jogador tem acesso a diversas representações visuais da sua cidade geradas dinamicamente, na forma de gráficos, tabelas e diagramas. Essas representações, que correspondem a cada uma das facetas, filtram os dados desejados e exibem ao planejador um retrato esquemático da situação.

Neste estudo, o Sim City é analisado, portanto, como um simulador de cidades baseado em um sistema complexo dinâmico. Seus algoritmos criam lógicas de comportamentos específicas para os objetos, passíveis de interferências de outros fatores, que variam de intensidade com a evolução do tempo.

Conclusões: novos pontos de vista a partir do tratamento visual da informação

Um jogo de computador nunca será capaz de reproduzir todo o conjunto de forças que rege uma cidade real. Mesmo porque, diante da complexidade de combinações entre seus elementos constituintes, é improvável prever e repetir o mesmo comportamento de variáveis. Afinal, como vimos, o espaço é uma fotografia do tempo atual, e essa fotografia não seria a mesma, ainda mais considerando momentos e contextos diferentes. Em outras palavras, se tomarmos dois conjuntos compostos das mesmas variáveis, situados em espaços físicos idênticos e disparados no mesmo instante, ainda sim eles se desenvolveriam de maneira distinta.

Por outro lado, porém, a análise do Sim City é relevante para nosso estudo porque apresenta uma maneira interessante de se compreender, principalmente, a interdependência das variáveis discutidas anteriormente. Sob o ponto de vista deste estudo, essa compreensão é facilitada, sobretudo, a partir das ferramentas de visualização de dados disponíveis no jogo, recursos fundamentais para o processo de decisão das ações do jogador,

Os recursos de visualização somente são possíveis na medida em que todos os processos são mapeados e registrados em formatos de bancos de dados digitais. A seleção e o cruzamento de tais dados podem gerar informações visuais que, se permanecessem no formato numérico, dificilmente trariam algum significado. Em outras palavras, leituras visuais geradas por dados dinâmicos nos revelam interpretações “escondidas” atrás dos dados. Além disso, o controle das variáveis e a tomada de decisões são facilitados quando temos ferramentas geradoras de gráficos e diagramas.

Esta análise nos aponta, enfim, para uma conclusão geral: a aplicação dos recursos da tecnologia da informação no processamento de dados gerados em sistemas complexos dinâmicos para construir visualizações gráficas dos seus elementos proporciona novas compreensões sobre seu comportamento como um todo.

O conceito presente nessa estratégia, se adaptado de maneira consistente, sistêmica e integrada no desenvolvimento de um sistema capaz de realizar o mapeamento dos principais fluxos das grandes cidades pode ser bastante útil no planejamento urbano. Pois irá revelar pontos de colisão, carências e comportamentos de seus elementos, em relação ao espaço como um todo e, principalmente, aos outros elementos que também fazem parte do sistema.

Referências

CASTELLS, M. A Sociedade em Rede. A era da informação: economia, sociedade e cultura. 6ª. Edição. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. Mil Platôs. Capitalismo e Esquizofrenia. Rio de Janeiro: Editora 34. 715 pp. 1997

MANOVICH, Lev. Data Visualisation as New Abstraction and Anti-Sublime. Berlim: Agosto 2002. Disponível em < http://www.manovich.net/DOCS/data_art_2.doc > Acesso em 27/05/2007.

“Babel”: interface de navegação web baseada na organização do conhecimento

Neste estudo, iremos avaliar uma proposta de interface para navegação na Internet chamada “Babel”, criada pelo artista Simon Biggs.

“Babel”: a engenharia reversa das bibliotecas

Biggs é um artista australiano que trabalha com tecnologias digitais desde 1978, quando começou a utilizar computadores para produzir imagens e animações. Desde então, seus trabalhos buscam explorar os potenciais da interatividade digital. Nosso interesse neste estudo estará voltado para a obra “Babel”, de Maio de 2001.

Nessa obra, Biggs construiu um modelo 3D de navegação na web inspirado no sistema de classificação decimal de Dewey, amplamente utilizado na organização de livros em bibliotecas. Em Babel, os usuários percebem, na tela, um ambiente de dados numéricos formatados no padrão sugerido por Dewey. Tais dados estão organizados em linhas e colunas e a navegação ocorre pela simples movimentação do mouse na tela. Números dinâmicos são gerados a todo momento e, cada vez que o mouse é clicado, abre-se uma nova janela do navegador com um site cujo conteúdo esteja relacionado ao número. Múltiplos usuários podem navegar ao mesmo tempo no ambiente e compartilhar, de maneira visual, as ações dos outros usuários. Quanto mais pessoas navegam simultaneamente, novas “camadas” de números são interpostas, criando um ambiente dinâmico e compartilhado de navegação, de forma que um usuário pode ver as ações dos outros. A obra pode ser acessada no seguinte endereço: http://hosted.simonbiggs.easynet.co.uk/babel/babel.htm

Babel - screenshot

Fig. 1: Imagem da obra “Babel”

Sistema Decimal de Classficação de Dewey

A metáfora chave dessa obra de Biggs é a associação conceitual com o sistema Decimal de Classificação, criado por Melvil Dewey (1851-1931). Trata-se do sistema de classificação mais utilizado em bibliotecas no mundo. Propõe a organização de todo o conhecimento humano por meio de um código numérico infinitamente divisível, partindo das classes “gerais” estudadas desde a época das primeiras universidades na Europa. O sistema sofreu inúmeras expansões ao longo dos anos, mas, essencialmente, consiste em classificar todo o conhecimento em dez categorias:

000 Computadores, informação e referência geral
100 Filosofia e Psicologia
200 Religião
300 Ciências Sociais
400 Línguas
500 Ciência e matemática
600 Tecnologia
700 Arte e Lazer
800 Literatura
900 História e Geografia

O sistema utiliza dez classes principais, com divisões e subdivisões em grupos numerados também de 0 a 9, sucessivamente, até que seja suficiente para detalhar a especialização do assunto. Exemplo: 300 – Ciências Sociais, 340 – Direito, 344 – Direito Romano. São também utilizadas “divisões de forma” e “divisões geográficas”, a fim de detalhar o formato do material bibliográfico (dicionários, ensaios, periódicos, por exemplo) e o país específico. Toda publicação, então, pode ser classificada em um critério numérico e facilmente organizada em prateleiras, bastando resumir suas referências em fichas ou cartões para consulta rápida.

Uma breve história social do conhecimento

Como ter acesso à informação precisa? Como classificar todo o conteúdo que é gerado incessantemente pelos blogs, comunidades, listas de discussão e portais de notícias?

Questões semelhantes também preocupavam os contemporâneos de Dewey, porém numa escala e em contextos diferentes. Com a popularização da imprensa, o acúmulo de publicações começou a preocupar alguns “bibliotecários”, que passaram a pesquisar maneiras de se classificar e organizar livros. A partir do século XV, diversas propostas surgiram, quase sempre baseadas nas disciplinas acadêmicas das universidades da época, definidas da seguinte forma: o primeiro grau, ou bacharelado, era composto pelo Trivium (gramática, lógica e retórica) e pelo Quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música). Em seguida, vinham as “disciplinas superiores”: teologia, direito civil e canônico e a medicina. Posteriormente, sob a influência do iluminismo, disciplinas como a engenharia e as artes mecânicas ganharam mais espaço.

BURKE (2003), coloca que modelos de classificação do conhecimento sempre foram perseguidos por filósofos e pesquisadores. Aristóteles já havia proposto, no estudo chamado Organon, a classificação das coisas do mundo nas seguintes categorias: substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, condição, ação e paixão. Algumas enciclopédias chinesas, por sua vez, propuseram os seguintes critérios de ordenamento de seus manuscritos: fenômenos celestes, geografia, imperadores, natureza e conduta humana, governo, rituais, música, direito, funcionários, ordens de nobreza, assuntos militares, economia doméstica, propriedade, vestuário, veículos, ferramentas, alimentos, utensílios, artesanato, xadrez, taoísmo, budismo, álcool, medicina e história natural.

Podemos dizer que a classificação do conhecimento sempre esteve, portanto, associada ao contexto sócio-histórico do momento. Porém, sem abandonar a idéia de acomodar novos conhecimentos futuros. Segundo Durkheim (apud BURKE 2003), “as categorias do pensamento humano nunca são fixadas de forma definitiva; elas se fazem, desfazem e refazem incessantemente: mudam com o lugar e com o tempo”.

Internet: “catálogo” digital do conhecimento

A Internet representa hoje o nosso principal repositório de informações. Ao mesmo tempo, constitui-se num ambiente de constante dinamismo, onde relações sociais se estabelecem com o envolvimento de novos atores, a ponto de introduzir um novo paradigma nas comunicações humanas. Assim, de maneira divergente à biblioteca tradicional, a informação na rede é fluida, mutante, desordenada por definição.

Ao associar a tradicional classificação das bibliotecas a páginas de Internet, Biggs provoca uma releitura interessante sobre a atual condição da informação em rede. Mais do que “classificar” e “navegar” na web, Babel remete à questão da sobrecarga de informações. Ao contrário das bibliotecas, que historicamente representam o lugar do “ordenamento” e a “hierarquia”, a Internet se expande de maneira rizomática e caótica, publicando informações desordenadas a todo momento.

Biggs buscou duas fortes referências para a sua obra. A história bíblica de Babel nos conta sobre a proliferação de línguas e culturas num mesmo ambiente, que acabou por levar à desagregação da sociedade. Historicamente, Babel representou um centro econômico, social e político do mundo antigo, que atraía, portanto, diversos imigrantes de diferentes nacionalidades.

Torre de Babel - Brueghel
Fig. 2: Torre de Babel, por Pieter Bruegel de Oude.

Outra referência é o conto de Jorge Luis Borges, “Biblioteca de Babel”. Uma imensa biblioteca, composta por um acervo infinito, supõe registrar, nos seus volumes, toda a realidade existente. Curiosamente, seu material é composto por inúmeras referências repetidas, incompletas, redundantes ou que não fazem o menor sentido.

“Babel”, então, é um signo atual da condição da informação eletrônica. Ao tomar emprestada a taxonomia das bibliotecas para traduzir a Internet, Biggs traz para o nosso cotidiano uma reflexão sobre a maneira como navegamos. Traduz, numa interface visual navegável, porém densa e sobreposta, a informação codificada por um critério lógico. Apresenta-se, no entanto, sem a pretensão de abrigar todo o conhecimento humano atual num sistema organizado e estável de referências.

Interface construída por metadados

“Babel” também pode ser analisada sob outro ponto de vista interessante: o uso dos metadados na construção de sistemas interativos de navegação.

Podemos considerar o código numérico gerado pela classificação de Dewey como um dado qualquer, assim como registros em um banco de dados, coordenadas em um gráfico ou cores representadas por algarismos hexadecimais. O dado em si, não carrega qualquer significado intrínseco. O contexto onde está inserido e sua comparação com outros dados é que nos faz obter uma informação real. Ou seja, a informação surge a partir da interpretação de dados. Em outras palavras, quando construímos sentido aos dados, eles se tornam informação.

Por outro lado, a representação numérica de Dewey carrega consigo uma característica a mais. Ao serem construídos a partir de uma regra ou código semântico compartilhado, os algarismos de uma obra também explicam do que ela se trata. Portanto, ao utilizar um código de classificação socialmente compartilhado para organizar sites da Internet, Biggs foi capaz de construir um sistema de navegação por metadados. Ele acrescentou ao uso comum do hiperlink uma significação a mais, tanto sob o ponto de vista do seu destino (para onde o clique do mouse vai levar), quanto pela sua disposição e movimentação espacial.

Uma das apostas dos pesquisadores para promover uma melhor integração dos dados na Internet é a chamada Web Semântica, baseada em metadados. Os metadados têm sido apontados como uma das soluções para tornar a procura pela informação mais eficiente. A associação de descrições sobre o próprio documento serve como base para melhorar aplicações em diferentes situações, tais como busca e localização, personalização e distribuição automatizada.

Enfim, podemos concluir que “Babel” pode ser interpretada de diversas maneiras. O ponto de vista mais adequado para o recorte desta pesquisa é justamente o fato de que a obra aponta para modelos alternativos de navegação e interatividade na web. Outros artistas e designers também têm estudado essa questão, cuja análise foge ao escopo proposto. “Babel” foi selecionada por representar muito bem a associação de um código semântico (metadados) à maneira como as pessoas navegam na Internet.

Referências

BIGGS, Simon. Website Pessoal. 2007. Disponível em < http://www.littlepig.org.uk/ > Acessado em 06/03/2007

BIGGS, Simon. Babel, 2001. Disponível em < http://hosted.simonbiggs.easynet.co.uk/babel/babel.htm > Acessado em 06/03/2007

BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutemberg a Diderot.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. 241 p.

DIETZ, Steve. Reverse Engineering the Library. Minneapolis, USA. 2001. Disponível em < http://hosted.simonbiggs.easynet.co.uk/babel/intro.htm > Acessado em 06/03/2006