Roadsworth

Roadsworth: Crossing the Line details a Montreal stencil artist’s clandestine campaign to make his mark on the city streets.

Hailed as an “artist’s artist” by Wooster Collective, Roadsworth began to play with the language of the streets, overlaying city asphalt markings with his own images: a crosswalk becames a giant boot print, vines choked up traffic dividers, and electrical plugs filled parking spots. Each piece begged the question, Who owns public space?

As he is prosecuted at home and celebrated abroad, Roadsworth struggles to defend his work, define himself as an artist and address difficult questions about art and freedom of expression.


Espaço de informação

Vídeo de divulgação de um novo produto do Google.

Agora, alguns trechos do Manifesto sobre as Mídias Locativas, do André Lemos.

Mídia Locativa. Tecnologias e serviços baseados em localização (LBT e LBS) cujos sistemas infocomunicacionais são atentos e reagem ao contexto. Ação comunicacional onde informações digitais são processadas por pessoas, objetos e lugares através de dispositivos eletrônicos, sensores e redes sem fio. Dimensão atual da cibercultura constituindo a era do “ciberespaço vazando para o mundo real” (Russel, 1999), a era da “internet das coisas”. (…)

6. Estamos na era da computação ubíqua e pervasive (Weiser), ou seja da informática em todos os lugares e em todas as coisas. Mas não há tecnologias sensíveis e nenhuma delas está atenta a contextos! Elas estão em tudo e em todos os lugares, mas não sabem o que é um contexto e nem tem capacidades de sentir o local.

7. Depois do upload para a Matrix lá em cima, a internet 1.0, agora é a vez do “download do ciberespaço”, da informação nas coisas aqui em baixo, a internet 2.0. Não se trata mais do virtual lá em cima, mas do que fazer com toda essa informação das coisas e dos lugares aqui de baixo! Como nos relacionamos com as coisas e com os lugares? E agora, com essas coisas e lugares dotados de informação digital e conexão à internet?

Cartógrafos da informação

Vejam este artigo de Aaron Rester  muito interessante chamado “Mapping Memory: Web Designer as Information Cartographer”.

Ele contrapõe o conceito de Arquitetura da Informação com o que ele chama de Cartografia da Informação.  Segundo ele, ao considerar essa metáfora, introduzimos uma interpretação mais rica para compreendermos o modo como habitamos o ciberespaço.

Common sense tells us that an architect begins with an abstraction—a blueprint—and creates from that abstraction a concrete structure existing in physical space. The cartographer, on the other hand, starts with concrete structures existing in physical space and creates from that an abstraction: a map. For years, most of us have thought of building a website as being more like the former. We sketch out tree hierarchies and wireframes, and use them as the blueprints for the creation not of a physical structure, but an informational structure (and sometimes, if we’re feeling generous to our users, we’ll re-abstract those structures into “sitemaps” to aid their navigation around the site). What we often forget is that the blueprints from which we construct a site are themselves maps of processes and flows that already exist, from verbal dialogues to the exchange of money for goods and services.

O interessante dessa argumentação, sustentada pelo sociólogo francês Henri Lefebvre, está em pensar que a produção do espaço é criada a partir de relações sociais. O espaço, segundo esse autor, é criado pelo fluxo das redes relacionais – como o capital, o poder e, claro, a informação – que atravessam áreas físicas.

Essa teoria está em sintonia com o que Castells defende como espaço de fluxos. Ele entende fluxo como:

Seqüências intencionais, repetitivas, e programáveis de intercâmbio e interação entre posições fisicamente desarticuladas por atores sociais nas estruturas econômicas, política e simbólica da sociedade.

Castells provoca uma leitura social de um termo que já possui conotações tecnológicas e comunicacionais. O espaço é, na verdade, a representação de um momento. Um retrato “congelado” de um determinado tempo.

O espaço de fluxos é a organização material das práticas sociais de tempo compartilhado que funcionam por meio de fluxos.

Por fim, Rester sinaliza algo muito interessante,

Just as Lefebvre leads us to see built spaces not as the expressions of a single architect, but rather as the production of the wide variety of human interactions that occur within them, so websites created by cartographers would cease being grand edifices of unidirectional communication and become instead the collective product of the individuals whose lives intersect within them. The rise of the social web demands that if we are to help shape meaningful online experiences for our users, we must rethink our traditional role as builders of digital monuments and turn our attention to the close observation of the spaces that our users are producing around us.

Há outras metáforas para tentar contornar a rigidez do termo “arquitetura da informação”. Em outra ocasião ironizei a questão ao apresentar o “encanador da informação”.

Essa metáfora do cartógrafo me agrada muito, pois ressalta o caráter exploratório do mundo real, para traduzí-lo em caminhos navegáveis estruturalmente. Aproximaríamos, assim, da idéia de Design da Experiência. Incomoda-me, por outro lado, o seguinte ponto: o cartógrafo, nesse sentido, mapeia o ambiente tal como ele é para os seus habitantes. Onde estaria, então, o questionamento e a criatividade em propor estruturas diferentes das que as pessoas estão acostumadas?

Poderíamos pensar que o bom cartógrafo não possui a pretensão de representar o ambiente de forma literal, afinal a sua interpretação particular do mundo estará fatalmente materializada no mapa. Questão: enquanto cartógrafos da informação, estariam as nossas interpretações de mundo não só coerentes com a produção de espaço social das pessoas, mas também criativas o suficiente para solucionar problemas de fluxos de informação?

As cidades e as redes

Este post aborda uma breve reflexão sobre três aspectos:

a) a crescente aglomeração de pessoas nas grandes metrópoles;
b) a aparente contradição entre essa tendência e as possibilidades de trabalho à distância proporcionadas pelas tecnologias de informação em rede;
c) Afinal, por que diabos fui sair do aconchego do lar materno, cercado de reagalias e iguarias (quem conhece o rango da D. Leila sabe o que estou dizendo) e me mudei para São Paulo.

Vamos começar pelo CASTELLS (1999), com sua visão mais econômica e influenciada pelos movimentos de globalização à época do seu Sociedade em Rede.

As megacidades – maiores aglomerações urbanas do mundo, segundo a ONU – em especial, se tornam palco de contradições: articulam a economia global, integrando as redes de informação. Por outro lado, abrigam outros segmentos da população em áreas negligenciadas pelas tecnologias de comunicação e ao conhecimento. Se por um lado, estão conectadas a centros globais externos, internamente evidenciam a ruptura de estruturas sociais. Ainda sim, as megacidades continuarão a crescer, pois se constituem como pólos de desenvolvimento econômico, de inovação cultural e política e de conexão às redes globais. Em sua análise da influência das tecnologias da informação no espaço urbano, também coloca que, embora os recursos de telecomunicações e transações à distância estejam proporcionando novas possibilidades econômicas, as aglomerações e a proximidade física ainda são realidade. Ou seja, o trabalho ainda é presencial e não será substituído pelo trabalho à distância num curto prazo de tempo. O problema dos transportes é crescente, uma vez que requer maior mobilidade física da força de trabalho entre centros e periferia, incentivada pela compressão temporal das empresas em rede (muito mais atividades são realizadas numa mesma jornada de trabalho). O comércio eletrônico não elimina as grandes redes de varejo físicas. Pelo contrário, hipermercados e centros de compra se expandem cada vez mais, ao mesmo tempo em que inauguram suas versões também para a Internet. Idem para os complexos de saúde e as instituições de ensino, que passam a combinar funções locais e sistemas on-line.

Agora, o nosso amigo JOHNSON (2008), aquele mesmo que veio ao Campus Party e que fui ver, na primeira fila. (o cara é bom hein, até comprei o livro novo na hora, só para trocar uma idéia pessoalmente com ele e ganhar uma dedicatória)

“A ironia, é claro, é que as redes digitais supostamente deveriam tornar as cidades menos atrativas, não mais. O poder da telecomunicação e da conectividade instantânea tornaria a idéia de núcleos urbanos densamente povoados tão obsoleta quanto as cidades muradas da Idade Média. Por que as pessoas se espremeriam em agressivos meios superpovoados quando poderiam de uma forma igualmente simples trabalhar a distância em suas próprias casas? Porém, como se comprovou, muitas pessoas, na verdade, apreciam a densidade dos meios urbanos, precisamente por oferecer a densidade de confeitarias e cinemas de arte. À medida que as tecnologias aumentam nossa capacidade de encontrar esses nichos de interesse, esse tipo de densidade simplesmente se tornará cada vez mais atrativo. Esses mapas amadores oferecem um antídoto contra a grandiosidade, a complexidade e a intimidação das grandes cidades. Fazem com que todos se sintam em casa, precisamente porque se baseiam no conhecimento dos verdadeiros moradores da região.(…)

Há um motivo para que as pessoas mais ricas do mundo – que ao escolher o local no qual desejam constituir seus lares, têm opções praticamente infinitas – escolham reiteradamente viver nas áreas mais densamente povoadas do planeta. Em última instância, vivem nesses locais pelos mesmos motivos que os favelados de São Paulo: porque é na cidade que as coisas acontecem. As cidades são centros de oportunidades, tolerância, produção de riqueza, redes sociais, saúde, controle populacional e criatividade. Embora, é claro, ao longo das próximas décadas, a Internet e seus sucedâneos continuem a exportar alguns desses valores para as comunidades rurais, sem dúvida continuarão igualmente a reforçar a experiência de vida urbana. Os transeuntes nas calçadas se beneficiam tanto, se não mais, da Internet quanto os fazendeiros.”

(Sobre os mapas que ele se referiu no texto, será tema do próximo post.)

E então, como vai a minha vida em São Paulo? Bom, por exemplo, descobri uma tal de Starbucks que está me consumindo uma grana excessiva. Mas, como diriam os críticos, “relaxa, deixa de ser munheca-de-samambaia e aproveita o que a cidade tem de melhor”.

CASTELLS, M. A Sociedade em Rede. A era da informação: economia, sociedade e cultura. 6ª. Edição. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

JOHNSON, Steven. O Mapa Fantasma. Como a luta de dois homens contra o cólera mudou o destino de nossas metrópoles. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

O nível da rua

“Aqui, o elemento chave é a importância das calçadas, não porque proporcionem uma alternativa ecológica confiável às rodovias (embora isso seja verdade), nem porque andar é um exercício melhor do que dirigir um automóvel (o que também é verdade, aliás), nem porque as cidades centradas em pedestres sejam graciosamente antiquadas (o que é mais uma questão de moda do que uma evidência empírica). (…) O que importa é que elas são as condutoras primárias do fluxo de informações entre os habitantes. Os vizinhos aprendem uns com os outros porque passam uns pelos outros – e pelas lojas e moradia dos outros – nas calçadas. Elas permitem uma banda de comunicação relativamente larga entre totais estranhos e misturam grande número de indivíduos em configurações acidentais. Sem as calçadas as cidades seriam como formigas sem o sentido do olfato ou uma colônia com um número muito reduzido de operárias. As calçadas suprem o tipo correto e o número correto das interrelações locais. Elas são as junções da vida da cidade.”

Um complemento sobre o problema das cidades centradas em automóveis:

“o potencial para interações locais é tão limitado pela velocidade e distância percorrida pelo automóvel que nenhuma ordem superior pode emergir. Por tudo o que sabemos, deve haver algum alargamento psicológico em olhar as favelas de dentro de seu Ford Explorer, mas essa experiência nada fará para melhorar a saúde da cidade, pois a informação transmitida entre os agentes é esquálida e efêmera demais. A vida da cidade depende da interação acidental entre os estranhos que muda o comportamento individual. (…) Encontrar a diversidade nada faz pelo sistema global da cidade, a menos que esse encontro tenha alguma chance de alterar um comportamento. É necessário haver feedback entre agentes, células que mudam em resposta a outras células. A 100 quilômetros por hora, a informação transmitida entre os agentes é limitada demais para interações sutis.”

JOHNSON, Steven. Emergência: a dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003. p. 69-70

Talvez a redução da velocidade dos automóveis em São Paulo devido aos constanstes congestionamento possa gerar um efeito positivo a longo prazo: uma interação maior e mais rica entre os agentes circulantes.

Dinâmicas urbanas

Um tema que, só aparentemente, foge ao que costumo colocar aqui.

“A própria cidade é construída de uma maneira peculiar, de modo que uma pessoa pode morar nela durante anos, entrar e sair dela diariamente sem ter contato com um bairro popular e nem mesmo com operários – quer dizer, contanto que a pessoa se limite aos seus próprios negócios ou a passear por puro prazer. Isto decorre principalmente das circunstâncias de que, através de um acordo tácito e inconsciente, assim como de uma intenção explícita e consciente, mantêm os bairros populares totalmente separados das partes reservadas à classe média… Nunca vi em outro lugar ocultar-se com tão fina sensibilidade tudo o que pudesse ofender os olhos e os nervos da classe média.”

Engels (aquele mesmo), analisando a cidade de Manchester. Claro, poderia muito bem ser São Paulo.

ENGELS, Friedrich. A situação da classe operária na Inglaterra, São Paulo: Global, 1986

A questão envolvida neste trecho que nos interessa diretamente é a seguinte: as cidades, como outros sistemas auto-organizáveis, muitas vezes crescem “ao acaso”, sem uma política ou ordem deliberada de cima para baixo. E, ainda sim, adapta-se de acordo com uma lógica funcional.

“A cidade é complexa porque surpreende, sim, mas tambémporque tem uma personalidade coerente, uma personalidade que se auto-organiza a partir de milhões de decisões individuais, uma ordem global, construída a partir de interações locais.”

JOHNSON, Steven. Emergência: a dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003. 231 p.

O papel do livro sem papel

kindle

Muito tem sido discutido nas listas na internet sobre o “lançamento” do Kindle, o leitor portátil de livros da Amazon. Em paralelo às opiniões sobre o design do aparelho (para alguns, “quadrado e angular demais, semelhante a eletrônicos japoneses dos anos 80″), a restrição de formatos e até mesmo questões ambientais suscitadas pela redução do consumo de celulose, gostaria de debater o papel do livro (trocadilho proposital) em tempos de mobilidade e ubiqüidade.

Como podem notar, essas últimas semanas estou profundamente contaminado pelas reflexões trazidas pela Santaella no seu livro novo. Seguem alguns trechos:

“Depois da invenção de Gutenberg, durante pelo menos quatro séculos, a cultura do livro e do texto impresso reinou soberana. Estendendo-se do século XV ao XIX, essa foi a era das letras, na qual o texto escrito dominou como produtor e difusor do saber e da cultura. O livro impresso, feitos de registros facilmente duplicáveis e transmissíveis, transformou a informação em objeto transportável, rompendo com os mistérios do conhecimento reservado a poucos privilegiados, eruditos religiosos e nobres, e expandindo a capacidade de leitura.”

Bom, a questão mais superficial que aparece quando se fala em livros eletrônicos e leitura no computador, é a de que o livro tradicional tende a acabar ou ser substítuido por gadgets. Acho que todos sabemos que não é bem assim… Mais um trecho legal:

“Vale lembrar, ademais, que a perda da hegemonia do livro não significa que qualquer mídia possa substituí-lo. Se pudesse, o livro já teria desaparecido. Justamente porque não pode, os livros continuaram não só a existir, mas a se multiplicar. Na realidade, quando surge um novo meio de comunicação, ele não substitui o anterior ou os anteriores, mas provoca um refuncionalização no papel cultural que era desempenhado pelos meios precedentes. Via de regra, um período inicial de impacto é seguido por uma readaptação gradativa até que um novo desenho de funções se instale.”

SANTAELLA, Lucia. Linguagens líquidas na era da mobilidade. São Paulo: Paulus, 2007.

A pintura não desapareceu com o advento da fotografia, que também não desapareceu com o surgimento do cinema, que também não desapareceu com a televisão e o vídeo. O livro está aí, e tais invenções (como o próprio Kindle), só reforçam o poder da mobilidade e a intensiva intimidade das interfaces computacionais em nosso cotidiano (quem já teve a oportunidade de brincar um pouco com o Iphone já sentiu isso de maneira muito evidente), mas, no entanto, sem a pretensão de engolir o hábito de ler no papel. Por outro lado, se os inventores do Kindle forem pretensiosos a esse ponto, logo o produto cairá em desuso.

Os gadgets introduzem novos comportamentos culturais para lidar com a informação. O foco, falando como arquiteto de informação, deve estar voltado justamente para identificar esses movimentos para pensar sempre em propostas mais adequadas de navegação e organização da informação.

Acho que não me sinto desconfortável em ler no computador.

Obs. pós-post: não deixem de ler abaixo o comentário do Thiago.