Imaginação

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“A ligação estabelecida por Walter Benjamin entre a ‘iluminação profana’ e a técnica fotográfica nos mostra que a inundação de embriaguez não seria nada – nada que valha, nada que dure, nada que tenha valor crítico – sem a construção de suas imagens no tempo. Construção da duração que não existiria sem alguma mediação técnica. O que a embriaguez faz surgir como iluminação ou ‘instante utópico’ da imagem cabe à imaginação – desde então vislumbrada como duração utópica da imagem – fazendo dela uma experiência para o pensamento, uma imagem de pensamento. Pois ela é um jogo, pois ela não cessa de desmontar todas as coisas, a imaginação é construção imprevisível e infinita, retomada perpétua dos movimentos comprometidos, contraditórios, surpreendidos pelas novas bifurcações. Essa construção se dá bem, dialeticamente, sobre dois enquadramentos: ela dispõe as coisas para melhor expor as relações. Ela cria relações com as diferenças, ela lança pontes por cima dos abismos que ela mesma abre. Ela é, portanto, montagem, atividade onde a imaginação se torna uma técnica – um artesanato, uma atividade manual e de aparelhos – que produz pensamento em um ritmo incessante de diferenças e relações.”

DIDI-HUBERMAN, Georges. Quand les images prennent position. L’oeil de l’histoire, 1. Paris: Les éditions de minuit, 2009. p. 238-239.

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