Informar!

Flusser tem uma definição de “informação” que é curta e direta: informação é uma situação pouco provável. Em outras palavras, se um fenômeno se apresenta de maneira inesperada, há grande chance de ele trazer alguma novidade. Portanto, informação.

Segundo Flusser, o propósito da invenção dos aparelhos produtores de imagem seria:

(…) não apenas a fim de tornarem visíveis virtualidades, mas igualmente para computarem tais virtualidades em situações pouco prováveis. A saber: em imagens. Os aparelhos são programados para transformar possibilidades invisíveis em improbabilidade visíveis. Em outros termos: os aparelhos contêm programas que se opõem à tendência universal rumo à entropia. Isto acontece porque os aparelhos são produtos humanos e o homem é ente engajado contra a estúpida tendência do universo a desinformar-se. O homem é ente que, desde que estendeu a sua mão contra o mundo, procura preservar as informações herdadas e adquiridas, e ainda criar informações novas. Esta é a sua resposta à “morte térmica”, ou mais exatamente à morte: “Informar!” é a resposta que o homem lança contra a morte. Pois é de tal busca da imortalidade que  nasceram, entre outras coisas, os aparelhos produtores de imagens. O propósito dos aparelhos é o de criar, preservar e transmitir informações. Nesse sentido, as imagens técnicas são represas de informação a serviço da nossa imortalidade.

Essa definição é bacana, mas ainda não sei como encaixar a redundância. Para mim, redundância é algo que não se apresenta como novidade, mas é fundamental para a informação. Sem redundância, teríamos muita dificuldade em separar a essência do ruído. A tendência do desvio. Vamos prosseguir com a leitura, acho que ele irá tratar disso em breve, mais adiante no livro.

FLUSSER, Vilém. O universo das imagens técnicas: elogio da superficialidade. São Paulo: Annablume, 2008. (p. 26)