O Designer de interface

“Não há artistas que trabalhem no meio da comunicação da interface que não sejam, de uma maneira ou de outra, também engenheiros. (…) Os artesãos da cultura da interface não tem tempo a perder com essas divisões arbitrárias. Seu meio se reinventa a si mesmo depressa demais para admitir falsas oposições entre tipos criativos e programadores. Eles se tornaram uma outra coisa, uma espécie de nova fusão de artista e engenheiro – profissionais da interface, cyberpunks, web masters – incubidos da missão épica de representar nossas máquinas digitais, de dar sentido à informação em sua forma bruta.”

Um pouco exagerado né… Ok… “missão épica” é um pouco forçado… Mas vamos considerar que foi escrito em 1997, momento que apontava para muitas mudanças no cenário da tecnologia e da computação.

JOHNSON, Steven. Cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

3 thoughts on “O Designer de interface

  1. É, viagem isso aí. Missão épica foi realmente demais.

    Enfim, me sinto meio artista trabalhando no Flash de vez em quando. Ao mesmo tempo isso exige técnica e controle do software. Mas não se difere da forma de arte tradicional, manejar um pincel, tinta, etc também envolve técnica… só é um outro tipo de técnica. Cyber-técnica, é esta a diferença. Acho mais romântica a técnica original… mas sem dúvida é questão de gosto e isso depende da tribo urbana com a qual vc compartilha seus memes.

  2. Acho que a frase ficou um pouco descontextualizada mesmo… Em trechos anteriores, o autor se referia a oposição arbitrária criada entre aptidão técnica e artística (basta lembrarmos dos artistas do Renascimento ou dos “engenheiros” do antigo Egito, por exemplo). Penso que o trabalho de lógica dos algoritmos aplicado à criação de elementos visuais envolve uma capacidade de abstração elevada e sensibilidade apurada… Ultimamente, tenho lido sobre estética computacional. É algo que tem a ver com isso e que me interessa bastante.

  3. Não acho que essas coisas exijam uma capacidade de abstração elevada e sensibilidade apurada. Basta ser simples e direto. As pessoas têm mania de valorizar excessivamente e criar nomes bonitos para o que fazem. Não é tão difícil assim, eu diria… mas posso ignorar altamente a área e estar subestimando a importância. Enfim… já fiz vários web-sites (gosto de usar o notepad pra isso) e não diria que eles tenham ficado excessivamente ruins. É claro que pra uma empresa e tal vc precisa otimizar e profissionalizar o negócio… mas no fundo é simples, né? (Tem uma teoria que diz que tudo é simples pra quem tem um PhD… enfim, tenho um PhD e concordo com a teoria, mas acho que é simples para um leigo-esperto também. Tem muitos por aí.)

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